Unica prevenção contra o perigo é ficar em casa, diz fotografo de guerra

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Colonos israelenses enfrentam policiais da Patrulha de Fronteira Israelense durante a evacuação da colônia não autorizada de Amona, próxima da cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia, em fevereiro de 2011
Fonte: Terra br

Tomer Appelbaum tem apenas 32 anos, mas ampla experiência como fotógrafo na cobertura do conflito entre israelenses e palestinos. Em sete anos de carreira, Tomer já viu de tudo: demonstrações que terminaram em tragédia, ônibus destruídos por suicidas, foguetes explodindo e troca de tiros entre soldados e militantes.

Tomer é um dos fotógrafos permanentes do jornal israelense Ha’aretz – um dos diários mais importantes e influentes de Israel e famoso por suas posições esquerdistas e pró-paz. Além do jornal, Tomer atua como freelancer para diversas publicações, agências de notícias e revistas de todo o mundo.

Apesar de acostumado a situações tensas – antes de ser fotógrafo de guerra, Tomer passou pelo serviço militar obrigatório de três anos em Israel em uma unidade de combate -, ele confidencia que desde que se tornou pai de um menino, há 20 meses, passou a ser mais cuidadoso e evitar situações de risco. “Hoje tomo mais cuidado, tanto pelas responsabilidades familiares, como também porque tenho cada vez mais medo do pouco valor que se dá à vida humana”, diz o fotógrafo israelense.

Confira a seguir a entrevista concedida com exclusividade ao Terra.

Como você começou na fotografia?
Comecei a fotografar por acaso. Eu não segurava uma câmera na mão desde os 2 anos de idade. Foi só após meu serviço militar, quando saí para viajar e mochilar que descobri a fotografia e passei a ter o sonho de um dia fotografar para a revista National Geographic – que aliás é um sonho de muitos estudantes de primeiro ano de fotografia.

Por onde você viajou e como fez a transição para fotografia em zonas de conflito?
Entre idas e vindas, viajei durante cerca de três anos. Fui à Índia, Nepal, Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja, Japão, Nova Zelândia, Holanda e Alemanha. Depois retornei a Israel e durante dois anos, entre 2002 e 2004 estudei Fotografia na Escola Técnica de Hadassa, em Jerusalém. Durante os estudos fiquei cada vez mais atraído pela fotografia-documentário e, ao me formar, comecei a trabalhar em uma agência de notícias. Essa foi justamente a época quando estava terminando a era das explosões em ônibus, a construção da cerca de separação ganhava força, a estabilidade política em Israel balançava e o plano de saída unilateral de Gaza entrava na agenda – tudo isso além dos eventos do cotidiano.

E como foi no começo?
Eu viajava bastante e não parava de fotografar. O dia de trabalho às vezes ia da manhã à madrugada e englobava uma variedade de eventos tão grande que eu acabava cobrindo todos os cadernos e necessidades do jornal: demonstrações, perfis, cobertura de julgamentos, esportes, cultura, show, entre outros.

Que tipo de situações de perigo você já enfrentou durante o trabalho?
Já tomei e tive que dar soco. Também tomei pedrada na cabeça e vi um foguete Katiusha explodir diante dos meus olhos e ferir um colega jornalista. Obviamente é mais difícil se prevenir contra uma pedrada ou um Katiusha do que contra socos – nestes casos a única prevenção seria simplesmente ficar em casa.

Nunca sentiu medo de cobrir os conflitos?
Enquanto eu era solteiro não tinha o menor problema em ir para qualquer lugar ou a qualquer hora e sentia menos medo por mim, apesar de ter havido situações onde eu sabia que era melhor não levantar a câmera ou mesmo tirá-la da mochila. Nessas situações você tem que pensar quão importante é a foto frente ao risco físico ou financeiro que você vai enfrentar – esse não é o medo que você sente quando está em uma zona perigosa, mas sim um medo mais racional. Em zonas de perigo é uma situação mais de tensão, de adrenalina e normalmente não é fácil ver de que lado vai vir a pedra ou a explosão.

Hoje em dia sou mais cuidadoso – em primeiro lugar porque casei, tenho um filho pequeno e responsabilidades familiares. Além disso, porque tenho cada vez mais medo do pouco valor que se dá à vida humana e do aumento extremado e banal da violência e da maldade. Por fim, porque há muitos lugares onde ser jornalista é ser “persona non grata”. Essa mudança de perspectiva vem com a experiência e a compreensão das situações de risco.

Por que ser fotógrafo de guerra e conflito?
O motivo pelo qual me sinto atraído pelas zonas de perigo e desastre é o drama humano que ocorre nesses locais em sua forma mais clara e pura. Com o meu trabalho eu tento mostrar o mundo – ou pelo menos a minha interpretação do mundo – para o mundo. Eu tento contar uma história de sentimento através da foto. Quando fotografo um protesto quero que as pessoas vejam os gritos e a fumaça, quando fotografo um show quero que as pessoas possam ver a música.

Quais as suas recomendações a quem está começando no campo da fotografia de guerra?
Que estejam sempre muito atentos à situação e que saibam que às vezes é preciso em apenas um segundo deixar a tradicional postura do fotógrafo, como se fosse uma mosca na parede, e se tomar a atitude de um leão pronto para o ataque.

PERFIL
Nome: Tomer Appelbaum
Nacionalidade: Israelense
Idade: 32
Estado Civil: Casado, pai de um filho pequeno
Local de Atuação: Israel e territórios palestinos
Tempo de Profissão: cerca de 7 anos
Mídias para as quais trabalha: Jornal Ha’aretz (Israel), Agências de Notícia, Revistas e trabalhos freelancer
Formação: Formado em Fotografia pela Escola Técnica de Hadassa, em Jerusalém.
Outros Treinamentos: Treinamento militar em unidade de combate do Exército Israelense durante serviço obrigatório
Website de Material e Contato: http://tomerappelbaum.blogspot.com/

Sobre o autor

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