Todo mundo em uma única exposição

em Notícias.

 

Masp mostra, a partir de amanhã, trabalhos do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, vistos por 3,5 milhões de pessoas.

O fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, de 65 anos, nasceu numa conhecida família de joalheiros parisienses, mas nunca se interessou por diamantes e esmeraldas. Seu tesouro está acima da terra. Bem acima, aliás. Conhecido por suas fotos aéreas, entre elas a de um manguezal em forma de coração na Nova Caledônia, arquipélago da Oceania, Arthus-Bertrand já esteve algumas vezes no Brasil e volta para inaugurar amanhã, no Masp, a exposição 6 Bilhões de Outros, seu mais ambicioso projeto até o momento. Recorde de público na França na temporada passada, a mostra é inédita no Brasil e só foi exibida na Europa e Ásia, onde foi vista por 3,5 milhões de pessoas.

Yann Arthus-Bertrand/DivulgaçãoPrêmio. Porto de Mopti, no Mali, em Nosso Planeta, Nossa Casa, de 2009, indicado ao César 2010 de melhor documentário
O Projeto 6 Bilhões de Outros é uma sequência natural de outra realização de Yann Arthus-Betrand, um banco de dados com imagens do planeta visto do céu. A série, A Terra Vista do Alto, virou livro . Com fotos tiradas de um helicóptero, ele foi publicado em 1999, atingindo a marca de 3 milhões de exemplares vendidos. O fotógrafo organizou, então, uma exposição com as melhores imagens, que passou por 100 cidades, atraindo a atenção de 100 milhões de visitantes, o que o incentivou a desenvolver o gigantesco projeto das 6 bilhões de almas que habitam o planeta.

Lançado em 2003, o projeto reuniu até o momento 5 mil depoimentos captados em 75 diferentes países, alguns escolhidos para o DVD triplo que ele lançou na França e será exibido na mostra do Masp. São pessoas comuns, que respondem a questões simples sobre suas lembranças de criança, seus sonhos e projetos futuros. Arthus-Bertrand acredita tanto no poder mobilizador desses depoimentos que até fundou, em 2005, uma organização filantrópica dedicada à promoção do desenvolvimento sustentável. De Paris, por telefone, ele falou sobre a exposição, aberta no Masp até 10 de julho.

Gorilas. Ambientalista, o fotógrafo começou sua carreira no Quênia, no fim dos anos 1970, ao lado da mulher Anne. Ambos passavam horas observando leões e fotografando a vida dos felinos, retratados em seu primeiro livro, lançado há 30 anos. “Foi um pouco decepcionante, pois não conseguia me aproximar deles”, lembra Arthus-Bertrand, contando que teve melhor sorte ao fotografar gorilas com a zoóloga americana Dian Fossey (1932-1985). Assassinada em sua cabana nas montanhas Virunga, em Ruanda, onde protegia os primatas da extinção, Dian virou lenda e teve sua vida contada no filme Nas Montanhas dos Gorilas (Gorillas in the Mist, 1988). “Sua morte me causou profunda comoção, ainda mais porque vi uma mulher sozinha, perseguida por caçadores e doente.”

Dian Fossey, diz o fotógrafo, foi uma grande inspiração. O cinema também teve um papel importante em seus anos de formação. Adolescente, chegou a trabalhar como ator em um filme ao lado de Michèle Morgan (Dis-moi qui tuer, 1965) . Aos 20 anos, sua vida tomou outro rumo. Cuidando de uma reserva natural na França, descobriu que queria trabalhar com o meio ambiente.

Seu compromisso não é só com a qualidade das fotos. Ele é da mesma natureza da militância ecológica da zoóloga americana. “Primeiro me interessei pela vida animal, a natureza; depois, pela humanidade.” A técnica, diz ele, é secundária. Afinal, com câmeras digitais, a perfeição formal está ao alcance de todos. A moral é outra história. “Você precisa de talento para ver o que está à frente, essa obra de arte que é nosso planeta, beleza que poucos conseguem enxergar.”

Religião. Seu ambientalismo não tem a ver com religião. “Não sou uma pessoa religiosa, embora muitas pessoas digam que essas fotos aéreas parecem provas da existência de Deus.” Para ele, o divino está representado, sim, na presença dos milhares de visitantes que dedicaram seu tempo no Grand Palais, em Paris, para ver seus semelhantes abrirem os corações nos vídeos.

Tudo começou, segundo ele, quando seu helicóptero quebrou no Mali. Enquanto esperava pelo piloto, começou a conversar com um morador de um vilarejo. Este contou ao fotógrafo como era difícil alimentar seus filhos, revelando o medo que tinha do futuro. Não lhe pediu nada. Apenas olhou Arthus-Bertrand nos olhos. Esse foi o modelo do documentário 6 Bilhões de Outros, que teve a participação dos colaboradores Sybille d”Orgeval e Baptiste Rouget-Luchaire e seis diretores assistentes.

Perguntas como “o que você aprendeu de seus pais e o que deseja transmitir a seus filhos?” são respondidas com franqueza. Os entrevistados encaram a câmera como atores de Bergman, contando histórias comoventes. São pessoas tão diferentes entre si como um pescador brasileiro e um colono afegão. Não se trata de um ensaio barthesiano sobre “como viver junto”. “A abordagem não é intelectual, mas amorosa”, diz o fotógrafo. “Fiquei comovido com os depoimentos de pessoas que nunca tinham visto uma equipe de cinema na vida, com a sinceridade com que responderam de forma tão simples a temas tão abstratos como felicidade.”

Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110418/not_imp707602,0.php

Sobre o autor

ATENÇÃO: OS TEXTOS, MATÉRIAS TÉCNICAS, APRESENTADAS NESSE BLOG SÃO PESQUISADAS, SELECIONADAS E PRODUZIDAS PELOS ALUNOS, PROFESSORES E COLABORADORES DA FOCUS PARA USO MERAMENTE DIDÁTICO E COMPLEMENTAR ÁS AULAS DE FOTOGRAFIA NAS MODALIDADES DE CURSOS PRESENCIAIS OU A DISTÂNCIA EAD, MANTIDOS PELA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA, SEM QUALQUER OUTRO TIPO DE PROPÓSITO, RELEVÂNCIA OU CONOTAÇÃO. PARA MAIORES INFORMAÇÕES CONSULTE https://focusfoto.com.br A Focus é a única escola de fotografia no Brasil, que oferece ao aluno o direito de obter seu REGISTRO LEGALIZADO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL, emitido pelo Ministério do Trabalho, por meio de cursos com carga horária total de 350 horas, incluindo períodos de estágio, preparo e defesa de TCC OS CURSOS DA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA SÃO RECONHECIDOS PELA LEI N. 9.394, ARTIGO 44, INCISO 1 (LEI DE EDUCAÇÃO) O REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL é unificado, sendo o mesmo obtido pelas melhores Universidades Públicas do Estado de São Paulo. E você poderá obtê-lo EM QUALQUER MODALIDADE DE CURSOS DA FOCUS, presenciais ou a distância EAD em menos de 6 meses de curso. O aluno obterá seu REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL diretamente nas agências regionais do Ministério do Trabalho e Emprego. Este registro é fundamental para o exercício legal da profissão, constituição de seu próprio negócio, ingressos em concursos públicos e processos admissionários em empresas de fotografia, públicas ou particulares, bancos de imagens, agências de notícias, jornalismo e consularização de seu registro de fotógrafo, caso queira trabalhar em outros países ou Ongs. Internacionais, como "FOTÓGRAFOS SEM FRONTEIRAS" entre outras modalidades. SEJA FOTÓGRAFO DEVIDAMENTE REGULAMENTADO. QUALIDADE E EXCELÊNCIA EM EDUCAÇÃO FOTOGRÁFICA É NOSSO DIFERENCIAL HÁ MAIS DE QUATRO DÉCADAS. Os alunos recém-formados pela Focus competem em nível de igualdade com fotógrafos profissionais que estão no mercado há mais de 30 anos. Na FOCUS, o aluno entra no mercado de trabalho pela porta da frente! Os alunos, após formados, são encaminhados para o mercado de trabalho. Cursos 100% práticos, apostilados e com plantão de dúvidas. Faça bem feito, faça Focus! Há mais de 44 anos formando novos profissionais. AUTOR DO PROJETO e MEDIADOR DESSE BLOG: Prof. Dr. Enio Leite Alves, Professor Titular aposentado da Universidade de São Paulo, nascido em São Paulo, SP, 1953. PROF. DR. ENIO LEITE: Área de atuação: Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda, propaganda e publicidade. Pesquisador iconográfico. Sociólogo, jornalista, físico, fotoquímico, inventor e docente universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a FOCUS – ESCOLA DE FOTOGRAFIA, primeira instituição de ensino técnico e tecnológico da AMÉRICA LATINA. No mesmo ano, suas fotos são premiadas na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, quando a fotografia passa a reconhecida pela primeira vez como obra de valor artístico. Enio Leite, fundador do MOVIMENTO PHOTOUSP no início dos anos 70, com Raul Garcez e Sergio Burgi, entre outros, no centro acadêmico da Escola Politécnica, na Cidade Universitária, São Paulo-SP. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em História da Fotografia, Fotoquímica, Óptica fotográfica e Fotografia Publicitária Digital, em 1993, pela UNIZH, Suíça. No ano de 1997 obteve Livre Docência na Universitá Degli Studi di Roma Tre. Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1995. Pesquisador e escritor, publicou o primeiro livro didático em língua portuguesa sobre fotografia digital, Editora Viena, São Paulo, maio 2011, já na quarta edição e presente nas principais universidades brasileiras portuguesas. Colabora com artigos, ensaios, pesquisas e títulos sobre fotoquímica, radioquímica, técnica fotográfica, tecnologia digital da imagem, semiótica e filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte: Agência Estado - 12/03/2019)

Deixe seu comentário

  • (não será mostrado)