O nascimento de uma linguagem

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Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todas as autoridades na matéria a consideram como "a primeira fotografia permanente do mundo" tirada por volta de 1826. Esse processo foi batizado por Niépce como heliografia, gravura com a luz solar.

 Há cento e oitenta e seis anos, graças ao francês Joseph Niépce, o homem passou a registrar o que visualiza, no seu dia-a-dia, através da fotografia.

Niépce cobriu uma lâmina polida de vidro com “betumem da Judéia”, expôs por oito horas para captar uma vista de telhados ao sol, usando uma caixa com uma lente e então a tratou com uma solução de lavanda e terebetina. Estava sendo feita a primeira fotografia.

Heliografia de Niepce

Em 1793, junto com o seu irmão Claude, oficial da marinha francesa, Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmara escura, durante uma temporada em Cagliari. Aos 40 anos, Niépce se retirou do exército francês para dedicar-se a inventos técnicos, graças à fortuna que sua família possuía. Nesta época, a litografia era muito popular na França, e como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmera escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmera escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixadas com ácido nítrico. Como essas imagens eram em negativo e Niépce pelo contrário, queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placa de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.

Foto mais antiga tirada por Niépce, por volta de 1826.Após alguns anos, Niépce recobriu uma placa de estanho com betume branco da Judéia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmera escura fabricada pelo ótico parisiense Chevalier, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa.

Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todas as autoridades na matéria a consideram como “a primeira fotografia permanente do mundo”. Esse processo foi batizado por Niépce como heliografia, gravura com a luz solar.

Em 1827, Niépce foi a Kew, perto de Londres, visitar Claude, levando consigo várias heliografias. Lá conheceu Francis Bauer, pintor botânico que de pronto reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar ao Rei Jorge IV e à Royal Society sobre o trabalho, Niépce, cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal Society a não reconhecer o invento. De volta para a França, deixa com Bauer suas heliografias do Cardeal d’Amboise e da primeira fotografia de 1826.

Em 1829 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho, e escurece as sombras com vapor de iodo. Este processo foi detalhado no contrato de sociedade com Daguerre, que com estas informações pode descobrir em 1831 a sensibilidade da prata iodizada à luz. Niépce morreu em 1833 deixando sua obra nas mãos de Daguerre

Milênios antes, os habitantes das cavernas deixaram sua escrita nas paredes de pedra, representando seus hábitos, seus semelhantes e os animais que os cercavam. A escrita rupestre foi assim a primeira manifestação dada pelo homem para eternizar as informações visuais que desejava legar aos seus descendentes.

Ao longo dos tempos, artistas usaram várias maneiras, formas, materiais e cores para registrar o mundo que os cercava. Pela pintura, pelo desenho e pela escultura interpretaram o Evangelho e a Bíblia, pintaram retratos de reis, esculpiram catedrais, decoraram túmulos, tetos e paredes de castelos, desenharam azulejos, registraram guerras e retrataram a história da humanidade.

A invenção da fotografia foi o clímax inevitável de uma antiga atração entre a ciência e a arte. O homem, através dos séculos, pressentia que algo mágico seria criado para atender à necessidade do registro fiel do que lhe passava aos olhos, um impulso enraizado de registrar suas observações mais imediatas e tornar permanente seu conhecimento visual. Mas o sonho permaneceu tão indefinido quanto era fascinante.

Para o filósofo Aristóteles, a “câmara escura” era um fenômeno familiar: bastava um orifício para a entrada, em um recinto escuro, de uma imagem externa invertida. Leonardo da Vinci, mestre da Renascença, descreveu as suas propriedades e, em 1568, Danielo Barbaro, da Universidade de Pádua, demonstrou que imagem nítida e clara era produzida pela substituição do orifício por uma lente. Desde então os pintores italianos passaram a pintar paisagens, com precisão de detalhes, usando este mecanismo.

 A parte “física” da fotografia estava descoberta. A parte “química” veio em 1725, quando o pesquisador alemão Johann Shulze descobriu que os sais de prata sofriam radical alteração uma vez expostos à luz: o ingrediente essencial para chegar até a fotografia, uma vez aliado ao fenômeno físico da imagem projetada, através de um orifício numa caixa escura, estava identificado.

 

Fonte: http://goo.gl/g0AOO

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