MÃOS À OBRA

em Artigos e Entrevistas.

Por mais que tentamos elevar a fotografia a uma forma de arte (e os fotógrafos normalmente gostam disso quanto qualquer um, contanto que inclua suas fotos), uma imensa parte dela é, puro trabalho manual. Foto: Richard Avedon

Há um forte elemento operário,
ao menos enquanto as fotos são tiradas, sendo que muitos fotógrafos admitem
certa afinidade com outros profissionais como engenheiros e mecânicos
.

Entretanto, profissionais em
geral não gostam de falar sobre câmeras e equipamentos, a menos que estejam
ensinando ou discutindo entre eles. O consenso geral é que se faz um bom
fotógrafo é a sensibilidade e a criatividade, e por razões de autoestima a
maioria de nós prefere ser visto dessa forma em vez de como operadores de
câmera.

Por contraste, a maioria dos
amadores gostam de discussões sobre equipamentos. Os guias de uso para modelos
específicos de câmera estão sempre bem colocados nas listas dos mais vendidos
em fotografia.

Tudo isso gera uma situação um
pouco confusa um pouco confusa. O equipamento importa operá-lo com destreza é
essencial, mas, por diversas razões, muitas pessoas o minimizam. Frases comuns
dos profissionais são “é só câmera”, e não passa de uma ferramenta, querendo
dizer que o importa de verdade é que o fotógrafo seja um indivíduo especial e
talentoso.

Cartier-Bresson aperfeiçoou uma
técnica de quase invisibilidade e recusava, quase sempre com raiva, ser
fotografado. Seu estilo de fotografar sem ser percebido dependia, em parte, ele
achava, de que não fosse reconhecido. Joel Meyerowitz, fazendo fotografia de
rua um dia em Nova York, ficou surpreso de ver Cartier-Bresson trabalhando:

“Era espantoso. Ficamos alguns
passos atrás e o observamos. Ele era uma figura dançante, vibrante, entrando e
saindo da multidão, avançando, recuando, mudando de rumo. Ele era impregnado de
certa qualidade mimética. Aprendemos que é possível apagar-se na multidão, ao
ponto em que você poderia olhar sobre seu ombro como um toureiro executando um
passo doble”.

Richard Avedon usou uma câmera 8×10 polegadas, (chapas 20 x 25 cm) para seus retratos de In The American West. Ele era auxiliado por dois assistentes. Fotografar como esse tipo de câmera exige que, uma vez que a imagem foi enquadrada e o foco ajustado, que o caixilho com o filme foi inserido, não havia razão para ficar atrás da câmera. Um assistente carregava o filme, uma folha por vez, atrás; o segundo ficava próximo à lente, ajustando a abertura e a luz rebatida de refletor na medida em que era preciso, enquanto

Avedon ficava do lado conversando
com os fotografados, exercitando seu famoso controle. A formalidade de um
equipamento assim tão grande e lento passava uma sensação de sobriedade a
todos, inclusive os retratos, como observou a biografia do projeto, Laura
Wilson. Essa formalidade e o firme controle de Avedon deu aos retratos sua
sensação de presença e gravidade.

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