ARTE CONCEITUAL E FOTOGRAFIA – ONDE ESTÁ A HABILIDADE?

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Fotos da série 26 postos de gasolina abandonados, de Ed Ruscha,  1962, arte conceitual

Embora esteja claro que algumas instituições como o MoMA, de Nova York, em especial, tenha concedido um elevado status estético a um determinado tipo de fotografia (por exemplo, Walker Evans, Robert Frank, William Eggleston), jamais deixou de existir um certo grau de segregação, e até mesmo uma relação hierárquica, entre fotógrafos e artistas plásticos.

Quando o surgimento da arte conceitual, no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, os artistas passaram a se valer da fotografia de um modo que parecia sugerir que esse meio seria, enfim, integrado à prática artística e suas instituições. No entanto, o que se viu foi um afastamento ainda maior entre a fotografia e outras artes.

Enquanto o mundo das artes geralmente marginalizava os fotógrafos profissionais, os “artistas” que “usavam a fotografia” eram bem recebidos. É claro que, do ponto de vista dos fotógrafos, isso pareceu ser uma atitude discriminatória.

Para agravar ainda mais a situação, alguns artistas conceituais que usavam a fotografia pareciam ser indiferentes às sutilezas técnicas do meio e o empregavam de forma propositadamente casual e até mesmo amadora.

Por exemplo, Monuments Of Passaic [ Monumentos de Passaic] (1967), de Robert Smithson, incluía fotos de locais triviais em Passic, no estado de New Jersey, nos Estados Unidos, as quais eram feitas com uma câmera Instamatic qualquer.

Twentysix Gasoline Stations [26 postos de gasolina] (1963), de Edward Ruscha, foi um livro produzido de forma barata com fotografias tecnicamente banais de 26 postos de gasolina. Essas duas inquestionáveis obras de arte só existem por meio da fotografia, mas nem sequer chegam a impressionar como demonstração de “boa fotografia”

A arte conceitual não era provocadora apenas para os fotógrafos, mas também para os artistas plásticos tradicionais, tanto pintores como escultores.

A arte conceitual foi, em parte, uma resposta à ideia do ready-made e propunha repensar a natureza e a finalidade da arte: era um desafio à ideia da obra de arte como simplesmente uma mercadoria bonita e colecionável para ser passivamente admirada. A arte conceitual obrigou o espectador a se envolver em uma “leitura” ativa.

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