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A SOPA DE
LETRINHAS DIGITAL
JPEG, RAW, TIFF, Exif, Jfif, Dpof, Iptc...
Texto: Rogerio Justamante Sordi
É certo que a tecnologia criou mais uma categoria de
analfabetos: os que não sabem lidar apropriadamente com
a informática.
E o profissional da imagem não está a salvo dessa
armadilha. Se não souber exatamente para que serve cada
formato de arquivo, o fotógrafo corre o risco de ver
suas imagens desaparecerem como num passe de mágica, ou
simplesmente se desmancharem aos poucos, conforme forem
sendo sucessivamente manipuladas ou utilizadas de forma
imprópria.
Pior. O trabalho de toda uma vida pode simplesmente
tornar-se.... obsoleto. Exatamente, a tecnologia tem
hoje uma dinâmica agressiva que, a pretexto de otimizar
a utilização, encurta a “vida útil” de arquivos que não
são padronizados, ou que não são universais.
Lembre-se daqueles textos de dez ou quinze anos atrás,
digitados em arcaicos editores que hoje estão extintos.
Provavelmente você terá pouca ou nenhuma chance de
recuperá-los simplesmente por não haver compatibilidade
com os novos programas.
Com as imagens ocorre da mesma forma. Tudo é uma questão
de “falar a mesma língua”, e, portanto, você precisa
saber como funciona a tecnologia para poder escolher
qual o formato correto, ou menos perigoso, para o seu
trabalho.
Jpeg: O Protagonista
Hoje em dia podemos encontrar em qualquer equipamento
digital ou programa a opção de arquivamento no formato
Jpeg, ou .Jpg . É na verdade o grande padrão dos
programas que lidam com imagens.
E não é à toa: é um formato ágil, leve e comum. Todos os
equipamentos o disponibilizam.
Tudo isso se deve à sua concepção e a normas
padronizadas de funcionamento.
Essa padronização surgiu por iniciativa da International
Organization for Standardization – ISO, a mesma que
estabeleceu os padrões de sensibilidade para os filmes
fotográficos.
Essa organização criou no início dos anos 80 um grupo de
estudos, sob o código de denominação TC42. Mais tarde
esse grupo, incumbido de criar um formato universal para
imagens digitais, de ampla aplicação, passou a se
denominar Join Photographic Expert Group, ou JPEG, nome
que passou a designar o conjunto de normas e tecnologias
de codificação/decodificação para compressão de arquivos
digitais.
Como funciona a compressão Jpeg
A concepção desse formato é a mesma dos arquivos de
música MP3: tudo que o olho não percebe (o ouvido no
caso do MP3) é eliminado sem piedade. Assim, a área de
uma foto que é azul – como no céu – com nuances e tons
muito similares é imediatamente transformado em um
algoritmo que representa a média desse tom de azul.
É claro que essa compressão passa despercebida, pois o
olho reconhece muito mais a densidade da imagem
(contraste, forma, etc) que a cor e suas pequenas
variações, tornando o excesso de informação descartável
para a finalidade de representar um céu azul para o
observador.
Na codificação da imagem, o processo Jpeg agrupa os
pixels de cor muito próxima ou idêntica. Esse
agrupamento passa a ser representado por um algoritmo
matemático.
A sutileza do agrupamento é determinada pelo fator de
compressão: quanto menor o número, maior a diferença
agrupada, com a conseqüente perda de qualidade por causa
do descarte de informações sutis (aproximação das
diferenças).
Nas câmeras, o fator de compressão geralmente aparece em
três níveis: Fine, Normal e Basic. Já nos computadores
aparece uma escala de qualidade gradual, geralmente de 0
a 10. Essa escala determina o nível de tolerância
aceitável para o reagrupamento das cores adjacentes por
pacote.
Essa também é a razão porque o tamanho do arquivo gerado
por duas fotografias com exatamente as mesmas definições
de execução podem diferir no tamanho, ou seja, quando
maior o detalhamento e variação da imagem, menor será a
possibilidade de compressão, restando preservadas as
informações originais.
Um grande destruidor
Essas três gradações de compressão não evitam a perda de
informações, inerente ao processo de compressão.
Tomando-se por base o fato Basic existente nas câmeras,
que equivale à regulagem mais acentuada (de 0 a 4 em
programas como o conhecido Adobe Photoshop), a
codificação será realizada agrupando-se em um único
pacote cores que tenham maior diferença entre si.
Equivale a dizer que as cores serão representadas pela
“cor predominante”, e não pela cor média.
Os detalhes finos da imagem, mais sutis, correrão o
risco de perder a definição. Por outro lado, o processo
de compressão é programado para preservar mais certas
informações, como textura de pele sob o flash, mas estas
também restarão prejudicadas, em razão da
inexorabilidade do sistema.
Esse formato é considerado destrutivo porque todo o
resto das informações será deletado, mesmo depois da
decodificação, ao contrário de outros que transcrevem
pixel por pixel , como Raw, Tiff, etc.
Mas esse processo poderá ser amenizado utilizando-se a
regulagem de compressão de alta qualidade (Fine para as
câmeras, ou regulagem de 7 à 10 em aplicativos), o que
se estabeleceu praticamente como regra para a realização
de fotografia profissional. Há exceções que veremos a
seguir.
Mas cuidado, por mais que a regulagem em alta qualidade
comprima somente um pouco as suas imagens (algo em torno
de 60% do tamanho original), os programas aplicativos
(editores de imagem) repetirão o mesmo processo a cada
comando “salvar como”, resultando nos mesmos efeitos do
arquivamento em qualidade Basic ou baixa qualidade (alta
compressão), o que reduz o tamanho da imagem bruta a
cerca de 20% a 30% do volume original !
Resumindo, sucessivas codificações rebaixam as
diferenças de agrupamento, aproximando as cores e
erradicando informações sutis de forma irrecuperável, o
que causa a rápida perda de definição da imagem
original.
Portanto, em caso de retoque ou manipulação digital da
foto, é fortemente aconselhável salvar seu arquivo em
formato .psd (Photoshop), Tiff, ou o formato residente
do seu editor.
O Jpeg tem sobrenome
Exif, Jfif, Dpof, Iptc...
Inicialmente, o grupo JPEG estabeleceu as normas gerais
do processo de compressão, objetivando a aplicação ampla
e genérica das imagens digitais. Isso se deu na década
de 80, quando as imagens digitais engatinhavam, e nem se
pensava em textura e movimento, por exemplo.
Com a ampliação das aplicações, e criação de novos
vetores de desenvolvimento (aplicações especializadas),
foram sendo agregadas novas informações suplementares a
cada arquivo, de forma a atender uma determinada
aplicação.
O corpo principal do formato foi mantido, mas ampliado
para atender cada nova necessidade, passando a
incorporar várias informações sobre a imagem.
Com o passar do tempo, formaram-se duas novas grandes
famílias, ambas de formato Jpeg: o Exif, utilizado em
câmeras digitais, e o Jfif, existentes nos aplicativos.
Posteriormente, dois outros tipos complementares foram
acrescentados: o Iptc, que é bastante utilizado para
legendagem de fotos digitais pela imprensa; e o Dpof,
que é um standard presente na maior parte dos
equipamentos digitais, com o objetivo de facilitar o
comando de impressão de imagens digitais, diretamente a
partir do aparelho utilizado.
As normas relativas ao Jpeg Exif foram elaboradas pela
associação dos fabricantes de equipamentos de foto
digital, a CIMA. É um conjunto de normas privadas, em
constante evolução, e sua última versão, presente nos
equipamentos de última geração, são as especificações
Jpeg Exif 2.2, ou chamada simplesmente de ExifPrint.
Esse arquivo pode gerar mais de 80 grupos de informações
agregadas que são gravadas quando a imagem é gerada no
equipamento, como data e hora do relógio do equipamento,
as regulagens utilizadas (abertura/diafragma, flash ou
não, foco...) e o tipo de equipamento utilizado.
Já a ExifPrint incorporou informações de regulagens de
cor, o que permite reconhecer qual impressora é
compatível, aperfeiçoando as regulagens automaticamente
em função da origem do arquivo. Permite impressão direta
a partir da câmera, portanto.
O Jpeg Jfif é muito mais preciso para a definição dos
campos de etiquetas, mas cada programa de edição acaba
flexibilizando suas definições, não sendo padronizadas.
É possível até mesmo reconhecer qual o aplicativo de
geração do arquivo pela leitura dos campos de etiquetas.
Mas os Jpeg Jfif não se limitam a informações de
equipamentos. A Adobe, com o Photoshop a partir da
versão 7.0, e Elements 2.0, passou a utilizar esse
recurso para inserir informações cruciais sobre cores, o
grande avanço do momento, disponibilizando inclusive a
consulta através do aplicativo (menu
“Imagens/Informações”).
Outra grande vantagem é a inserção, pelo próprio
fotógrafo, de seu registro (ou “copyrigt”) através da
utilização do Jpeg Jfif com o formato agregado Ipct.
Algumas câmeras já oferecem o recurso, geralmente para
amadores, de seleção de imagens no próprio aparelho,
cujo cartão de memória pode ser diretamente entregue a
um minilab digital, utilizando-se do formato Jpeg Exif
Dpof.
Porém, é preciso muita atenção para manipular essas
imagens. Se um usuário descuidado simplesmente comandar
um “salvar como”, sem especificar as informações
agregadas, elas serão irremediavelmente destruídas.
Isto porque o aplicativo entenderá que o uso será o
previsto originalmente, basicamente o mais leve
possível, como para a Internet, e tenderá a salvar seu
arquivo no formato mais leve.
O Photoshop 7.0 disponibiliza a opção de “salvar para
internet”, que permite gerar uma cópia do arquivo da
forma mais leve possível, para a publicação otimizada em
páginas da Internet, sem qualquer informação agregada.
Tipo do arquivo
Extenção usual Uso na
internet Foto Arquivo Vantagens/
Desvantagens
JPEG ERI (Kodak) Novo formato que utiliza base de
compressão Jpeg proposto como “negativo digital” pela
Kodak para a DCS-14n
_
* *
* + compressão otimizada
+ grande dinâmica (14 bits)
- trabalhado com programa específico
- futuro incerto (arquivamento)
JPEG EXIF (.jpg) CIMA (Camera and Imaging Product
Association) Outras denominações: Exif 2.2 ou ExifPrint,
Pim. A base do arquivo utilize uma compressão Jpeg
(ISO), mas a designação Exif atende às normas destinadas
aos membros da CIMA
*
(para resolução inferior a 640 x 480)
* *
* + registra informações suplementares, como abert.,
veloc., falsh, data, etc)
+ arquivo de fábrica das maiores marcas (Nikon, Cânon,
Olympus...)
- Compressão pode ser altamente destrutiva em compressão
máx em alguns programas.
JPEG 2000 (.jp2) O Jpeg 2000 foi desenvolvido pela
comissão Jpeg no I3A, sob as normas ISO específicas para
fotografia
*
(não compatível com navegadores)
* *
* * + forte compressão sem perda de qualidade visual
+padronização em implantação
- pouco compatível (uso relativo na internet)
FOVEON (.x3f) Sigma/Fóveon. Formato bruto de captura de
dispositivos Foveon
_
*
* + imagem sem perda de informação, compressão ou
destruição
- exige programa Sigma PhotoPro
Nikon RAW (.nef) É o Raw na versão Nikon, editado com o
programa específico Nikon View e Nikon Capture, ambos
fornecidos com as câmeras Nikon que oferecem essa opção
de captura
_
*
* + captura do CCD sem compressão/destruição
+ reconhecido pelo Adobe PhotoShop Raw (pacote da Adobe)
- editado e aberto pelos programas da Nikon
- pouca padronização
Raw (Outras marcas de câmeras digitais) Cada marca de
modelo possui sua própria versão de Raw, editado com seu
próprio programa. Atenção para as incompatibilidades de
utilização.
_
*
* + captura do CCD sem compressão/destruição
+ reconhecido pelo Adobe PhotoShop Raw (pacote da Adobe)
- cada marca tem seu programa de edição específico
- não é padronizado entre as marcas
O velho formato, rejuvenescido: Jpeg 2000
Como o Jpeg tornou-se o padrão de envio de imagens pela
internet, não é de se estranhar que continuasse a
evoluir com a chegada de novas tecnologias.
Foi o que aconteceu com a chamada internet móvel,
presente na telefonia celular e atualmente em grande
fase de expansão no Brasil.
Essa nova demanda de consumo provocou o aperfeiçoamento
da compressão até então regida pelas antigas normas Jpeg,
e, em 1999 deu origem a um novo conjunto de normas
denominado Jpeg 2000, desenvolvido pelos membros do
antigo grupo JPEG que ainda permanecem em atividade e
contribuindo para o desenvolvimento do novo processo de
compressão.
Esse aperfeiçoamento tinha o objetivo de diminuir as
falhas ocasionadas quando as imagens são processadas em
Jpeg com grande compressão, o que se conseguiu com o
aperfeiçoamento dos algoritmos, melhorando a eficácia.
Na verdade, esse aperfeiçoamento não diminuiu o peso das
imagens, mas melhorou a qualidade em alta compressão a
ponto de ser comparável às de baixa compressão.
O resultado foi o mesmo, pois as imagens são
transmitidas com maior velocidade, pois tiveram seu peso
diminuído de 3 a 8 vezes.
O ganho teve seu preço, já que algoritmos mais
sofisticados exigem maior número de cálculos, tornando o
processo mais lento, o que se espera remediar com
equipamentos com maior capacidade de processamento e
rotinas de processamento totalmente novas. Mas isso já é
outro capítulo.
A conseqüência é que o novo formato ainda não pôde ser
implementado, em razão das dificuldades técnicas, cuja
solução poderá levar alguns anos ainda.
Nesse rastro, os navegadores e a maior parte dos
programas destinadas à Internet simplesmente não lêem
esse formato, que ficou restrito a alguns aplicativos
específicos de alto custo, como o Photoshop 8.0, com o
módulo Raw, e Graphic Converter, ou mesmo a transmissão
via satélite de alto padrão, como no foto-jornalismo.
No dia-a-dia, esse formato simplesmente não existe, e
encontrará forte resistência, ainda depois que a HP
(Hewlett-Packard Company) determinou que seus
laboratórios pesquisassem um formato Jpeg de maior
rendimento, que recebeu o nome de Jpeg LS (norma Jpeg
Loco ISO-14495-1/ITU-T.87).
Assim, o Jp2 corre o risco de nascer morto.
Apressado come crú
Com o rápido desenvolvimento da fotografia digital nos
últimos anos, a demanda dos fotógrafos profissionais,
capitaneados pela indústria jornalística, passou a
exigir dos fabricantes de câmeras um formato
não-destrutivo de armazenamento das imagens, que fosse
mais rápido e ágil que os até então existentes.
Assim, cada fabricante investiu em um processo
não-compressivo, que transcrevesse a imagem com algum
processamento, pixel-a-pixel, sem gerar grandes massas
de dados.
Por se tratar de iniciativa sem coordenação,
impulsionada pela concorrência de mercado, surgiram
vários formatos sob a mesma designação: Raw (em
português “cru”)
Introduziu-se com isso a idéia de “negativo digital”,
idéia ainda mais atraente em se tratando de preservação
de direitos autorais.
O conceito principal é a reprodução da imagem o mais
fielmente possível da captada pela câmera, sendo
qualquer modificação possível somente no computador, o
que causa a modificação do arquivo, que terá de ser
armazenado em outro formato, preservando-se o
“original”.
Nos primórdios da imagem digital, a leitura
pixel-a-pixel era armazenada em arquivo Bmp, ou Bitmap
(mapa de pixels), gerando arquivos volumosos. Desse
formato só restou o conceito.
Os novos arquivos crus são a transcrição de um novo tipo
aparelho de captação, o CCD, ou CMOS, ou Fóveon.
Qualquer que seja a tecnologia, o princípio é sempre a
transcrição em informação eletrônica da variação da
captação da luz e cor através de minúsculos diodos,
agrupados em uma superfície. Cada diodo é representado
por um pixel. A forma como são transcritos esses
impulsos aperfeiçoou-se radicalmente nas últimas duas
décadas, dando origem ao Raw.
Hoje os arquivos Raw são otimizados pela informática
embarcada nas câmeras, com aperfeiçoamento de
sensibilidade, correção de cors, níveis, grãos, etc.
Ou seja, apesar de ser exatamente a captada pelo
equipamento através da lente, a imagem resultante é
processada e aperfeiçoada para aproximar-se do resultado
analógico.
Porque então o Raw não se tornou o formato padrão das
câmeras?
É um conceito atraente, mas ainda limitado. O obstáculo
é a versatilidade de um formato que ainda gera arquivos
de 3 a 4 vezes o tamanho de um Jpeg em baixa compressão.
Para atingir a mesma performance do Jpeg, deveria dispor
de equipamento de 3 a 4 vezes mais rápido, inclusive
cartões de gravação, o que torna os custos proibitivos.
Ainda assim, se disponíveis tais equipamentos, o Jpeg
continuaria sendo mais rápido se utilizado nessas
câmeras, com resultados muito próximos.
A solução foi a captura Raw, e arquivamento no
equipamento no formato Jpeg-Exif, que disponibiliza
todas as informações de disparo.
Mas essa tecnologia não é padrão entre as marcas, que
são concorrentes, e as fotos só podem ser abertas, em
princípio, nos aplicativos (softwares) fornecidos pelo
fabricante das câmeras, apesar de alguns desenvolvedores
de editores de imagem já terem disponibilizados
dispendiosos “pacotes” de conversão, como a Adobe e
SylverFast.
Resumindo, cada marca determinou seu padrão, que pode
ser alterado conforme o rumo da tecnologia disponível.
Não se apresse em arquivar todas as suas fotos em Raw,
pois a idéia de um negativo digital ainda é um pouco
utópica.
Concluindo, para imagens de alta qualidade, dispare em
Raw, mas salve em Tiff, por exemplo, que é um arquivo
estável.
É possível o caminho inverso?
É fácil imaginar a codificação de uma imagem,
notadamente as chamadas imagens “destrutivas” que se
desfazem sem qualquer cerimônia de informações originais
da imagem.
Porém, é possível o caminho reverso, que não se confunde
com a pura e simples decodificação?
Para esclarecer, decodificação não é a simples reversão
de um processo, mas a leitura a partir de um arquivo
composto em determinado formato. Por isso, as normas de
um formato devem contemplar a forma de leitura, ou
decodificação.
Já a reversão do processo, ou transformação de um
arquivo em outro formato dependerá das informações nele
contidas, e a existência de aplicativos que
compatibilizem sua leitura, também conhecidos com
filtros, ou pacotes (packs) de leitura.
Partindo-se de um arquivo Jpeg, desnecessário dizer que
essa reversão do processo é impossível, já que a maior
parte das informações foi perdida na compressão.
Porém, em arquivos não-destrutivos, como Tiff, há a
possibilidade transformá-los em outro formato, ainda
mais após manipulação em editores de imagem, que
agreguem novas informações.
É o caso do Photoshop, que cria um novo arquivo com as
informações de manipulação com extensão .psd , exclusivo
daquele aplicativo. Assim também acontece com o
CorelDraw, da Corel, e tantos outros.
Mas essas novas informações referem-se ao trabalho
realizado sobre a imagem comprimida, já com a perda de
dados importantes sobre a integridade do original.
Assim, se o usuário decidir imprimir em tamanho maior do
que o formato de que dispõe, terá que lançar mão de um
artifício: a interpolação de pixels.
Esse recurso nada mais é do que a criação artificial de
novos elementos, a fim de preencher espaço na superfície
da imagem, “reinventando” eventuais dados originais.
A interpolação varia de acordo com o grau de
sofisticação. A mais simples é a pela Proximidade (ou
“Nearest Neighbor”) que simplesmente duplica o pixel
vizinho, sem qualquer alteração. A interpolação
intermediária é denominada de Bilinear, que igualmente
copia o pixel vizinho, mas o aproxima dos adjacentes por
aproximação, e também é o de melhor relação
qualidade/velocidade. Já a mais sofisticada é a Bicúbica
(“Betteer/Smooth”), e lança mão de algoritmos avançados
para criar novos pixels por aproximação em relação aos
peixels vizinhos, criando um degradê perfeito ao olho
humano.
Digerindo a sopa de letrinhas
Agora que a procissão de siglas começa a criar alguma
ordem, é preciso saber como escolher o formato mais
útil.
Desnecessário dizer que dependerá da aplicação final da
imagem, como tudo em fotografia, pois disso dependerá a
decisão de qual o fator mais importante para o trabalho:
se a velocidade para a realização da foto, a precisão da
imagem, sua integridade, ou mesmo a possibilidade de
inserção de dados suplementares na foto, como o
“copyright”, tão apreciado em fotos autorais,
publicitárias ou com finalidade de publicação comercial.
De longe, a opção mais universal e prática, largamente
utilizada hoje em dia é o formato Jpeg Exif em baixa
compressão (alta qualidade), pois permite a formação de
imagens rapidamente, em arquivos leves que são gravados
sem maior demora, e ainda com a vantagem de comportarem
informações suplementares valiosas, como os dados do
disparo (abertura, velocidade, equipamento, balanço de
branco, etc.).
Além disso, é um formato criado por uma organização
oficial, e não por um fabricante, o que garante que
seguirá um padrão amplamente utilizado, e portanto
compatível inclusive com programas mais avançados que
venham a ser ofertados no futuro.
Mas as outras opções também são igualmente válidas. O
mercado de publicidade vem adotando tanto o Raw como o
Tiff, por serem formatos estáveis e não-destrutíveis.
Além disso, possibilitam trabalhos de alta qualidade.
Com certeza, se o objetivo é qualidade, escolha o Raw,
mas assim que terminar seu trabalho, grave as imagens em
um formato não-destrutivo, de preferência o Tiff se não
pretender manipula-las. Caso deseje alterá-las ou
retocá-las, dê preferência para o arquivamento no
formato específico do editor de imagens, como o .psd do
Photoshop, ou drw do CorelDraw.
A gravação em CD como um “negativo digital” é
indispensável, tanto quanto a preservação de seu
negativo analógico. Assim você terá sempre o seu
original a partir do qual poderá trabalhar ou copiar.
Mas não podemos desprezar o Jpeg, afinal de contas é o
formato mais utilizado em função da internet.
E é justamente nesse ambiente que ele encontra o seu
reino, pois em tempos de pirataria digital é bastante
prudente salvar suas imagens em baixa qualidade ( de 1 a
4) e em formato sempre pequeno, como 600 x 800, pois
isso inviabilizará a cópia para impressão. Não há
necessidade de grande resolução. Ao contrário, a
resolução para impressão é cerca de 300 DPI, enquanto
que a de vídeo não passa de 100 DPI na melhor das
hipóteses.
A solução resolve dois problemas: não congestiona a
caixa de mensagens de seus destinatários em caso de
correio, e não torna lenta a carga das páginas em razão
de imagens pesadas.
Por último, a Microsoft acabou por criar um ou formato
que pode ser adotado também para as imagens em internet.
Trata-se de .pdf, extensão usada pelo AcrobatReader,
lançada há pouco tempo, mas que vem ganhando público.
Não é padronizado oficialmente, mas como seu
distribuidor vem estabelecendo monopólio de fato sobre o
trânsito na internet, pode-se esperar que seja de grande
compatibilidade. No entanto, resta saber se o
fabricante, em razão do pouco respeito que tem
demonstrado com o consumidor, não decidirá alterar
substancialmente seus códigos, o que não o recomenda
para arquivamento de longo prazo, mas tão só para o
envio pela internet quando o objetivo é não permitir
alteração posterior ou cópia de partes separadas da
integralidade do arquivo.
De qualquer forma, nada melhor para a preservação da
memória de suas fotos do que o bom e velho papel, que
resistirá até mesmo a uma guerra nuclear, por constituir
um ótimo isolante térmico. Só não é a prova de insetos.
Mas daí já é um capítulo diferente.
FORMATOS DE ARQUIVO E DE DIVULGAÇÃO
Tipo de arquivo, Extenção normal Uso Internet Fotografar
Arquivar Vantagens/Desvantagens
JPEG (.jpg ou .jpeg) Regulamentação ISO. Atualmente
estudada pelo grupo de trabalho Jpeg, essa versão dispõe
de opção de progressividade de exibição na tela. Esses
arquivos são livres de qualquer etiqueta de imagem ou
descrição para torná-la o mais leve possível
* *
(em baixa resolução e compressão 2 à 4)
*
* + Função de progressividade de exibição na tela
+ Standard “obrigatório” nos navegadores
- compressão pode ser altamente destrutiva
- Arquivamento/retoque delicado (destruição adicional)
PCD PHOTO CD
(.pcd)
-
-
* * + formato comprimido não destrutivo
+ sistema bastante utilizado
- tecnologia proprietária Kodak (licenciada para a
Adobe)
- Sem modernização/evolução
FLASHPIX (Kodak)
(.fpx)
-
-
- - formato de tecnologia muito moderna (resolução
variável) mas que não recebe qualquer suporte do
fabricante
GIF Ancestral da difusão de imagens pela Internet, o GIF
é hoje muito utilizado apesar dos limites de uma outra
era.
* *
-
- + formato oferece possibilidades de animação
+ palheta de cores personalizada
+ leitura standard nos navegadores
- limitada a 256 níveis de cores
PNG Adobe (Portable Network Graphics) Novo formato
suportado pelos programas Adobe, oferece as vantagens
combinadas do Gif e do Jpeg.
* *
-
- Trabalho de normatização ainda sendo realizado para
atender a difusão de imagens na Web.
POSTSCRIPT (.eps) Adobe
-
* * É o formato preferencial para todas as imagens
destinadas a fotogravura. Convertendo a imagens
coloridas em EPS, o perfil passa do modo RGB para JMCN
(Separação de Cores), que possui maior gama de tons
compostos.
PDF Portable Digital File (.pdf) Adobe. O PDF foi criado
para substituir em mais ou menos pouco tempo as imagens
EPS alocadas nas páginas de programas PAO. É opção de
formato escolhido para publicar formulários na Internet
* *
-
* * + um só arquivo para cada documento, integrando as
fotos, ilustrações e texto, com garantia benéfica
+ taxa de compressão e definição variável, adaptada
automaticamente à utilização.
+ formato seguro (possibilidade de impedir modificações)
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