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A MELHOR CÂMERA
É AQUELA QUE VOCÊ ACHA BOA
A boa câmera é aquela que atende aos objetivos do
fotógrafo. Partindo disso, é fácil dizer se sua câmera é
boa ou não. Basta, contudo, saber o que você pretende.
Um possui uma Canon EOS Digital, outro uma Nikon modelo
D alguma coisa, o terceiro um novo modelo de digital
prosumer e assim por diante. Mas ninguém parece estar
conformado. E, das muitas perguntas já feitas em aula, a
insatisfação ficou provada pela duvida comum: “Minha
câmera é boa ou ruim?".
A resposta praticamente não existe. É impossível
responder a cada caso isolado, devido ao fato que na
fotografia existe um principio que diz: "somente o dono
da câmera poderá dizer se ela é boa ou não". A única
coisa que podemos fazer é ajudar.
Toda a câmera deve ter duas qualidades essenciais:
condições que permitam a exposição correta, e os
recursos adequados, como controle do diafragma,
velocidade, fotômetro e modos programados que satisfaçam
os objetivos do fotografo. Atualmente, quase todas as
câmeras expõem corretamente. As exceções são as câmeras
mais populares, cuja óptica da objetiva e seus
respectivos sensores digitais nem sempre são de
qualidade suficiente para exposições corretas. Mas, não
ligue para isso, pois não há câmera que não distorça de
alguma forma a realidade, tanto no tamanho, quanto na
proporção, na perspectiva, ou mesmo na cor. Não há
fotografia que reproduza a realidade como ela exatamente
se apresenta. A fotografia é sempre uma realidade
diferente do assunto que você fotografa.
A ligação entre essas duas realidades é feita pela sua
consciência e pela consciência das pessoas que vêem a
sua foto. E, já que todas as câmeras transformam a
realidade fotografada, acaba o problema de saber qual é
a melhor. O que interessa saber é como cada câmera
transforma a realidade. Cada uma tem um modo
característico de expor o filme, e é normal que cada
fotografo prefira determinados modos. Alguns gostam mais
do modo da Canon, outros da Nikon, Pentax, Sony, etc...
Esse problema é relativo a segunda qualidade necessária
para uma câmera ser boa. Hoje é normal o uso de técnicas
para produzir propositadamente efeitos de movimentos, de
desfoque, contraste, granulação, alta saturação das
cores, dentre muitos outros. Tudo isso não deixa de ser
distorção da realidade. Para um fotógrafo interessado
nesses tipos de efeito, o problema da "câmera boa que
reproduz perfeitamente a realidade", não tem o menor
sentido. É preciso saber o que o fotografo quer fazer
com a câmera, e isso torna mais difícil a sua escolha e
o seu julgamento.
O primeiro problema é que esses objetivos mudam
rapidamente. Hoje, ele pode estar interessado em
fotografar concertos de rock ou espetáculos teatrais,
precisando, portanto, de uma câmera 35 mm, com objetiva
de grande luminosidade e filmes ultra-sensíveis, para
fotos em cenas de pouca luz. Amanhã, pode resolver
fotografar textura de metais enferrujados, e vai correr
atrás de uma câmera de médio ou grande formato,
acompanhada de um tripé de 15 kg. E, já que é impossível
fabricar uma câmera capaz de satisfazer todos os
objetivos imagináveis, elas foram projetadas para
atender ao maior numero possível deles. Por isso, quanto
maior o numero de objetivos que uma câmera satisfaça,
melhor ela é.
Um fato conhecido na historia da fotografia ilustra bem
essa afirmação. Muitas fotos tiradas no final do século
XIX, inclusive algumas famosíssimas por sua qualidade
fotográfica, foram produzidas com lentes defeituosas,
incapazes de uma focalizarão perfeita. Não havia lentes
melhores naquela época, e a solução foi se ajeitar com
as existiam.
Mas se você tem uma boa objetiva, capaz de produzir um
foco perfeito, é melhor. Poderá optar ser quer uma foto
no foco ou não, coisa impossível naquele tempo.
Com o grande numero de recursos, aumenta a sua liberdade
de querer se comunicar por meio da fotografia, mas como
não ha câmera com todos os recursos imagináveis, você
terá sempre que definir antes quais os seus objetivos, e
a partir deles, ver qual a melhor câmera para você. O
mais comum, é que o principiante não saiba de inicio
onde pretende chegar. Nesse caso terá que fazer uma
opção fundamental: ou compra uma câmera Reflex High Tech
digital, em definitivo, ou adquire uma câmera
convencional mais simples para ser usada no inicio, para
ser substituída mais tarde. As high tech, além de não
produzirem o "erro de paralaxe", utilizam um grande
numero de acessórios como objetivas, zooms, filtros, e
outros. Você poderá ir comprando à medida que for
definindo seus objetivos.
As câmeras mais simples e baratas, com pouco ou nenhum
acessório extra, que permitam ajustar manualmente os
controles de focalização, diafragma e velocidades, tem a
vantagem de preocupá-lo um pouco no inicio, com detalhes
técnicos.
Qualquer que seja a câmera escolhida, o resultado só
pode ser bom. As câmeras eletrônicas high tech
programáveis, de última geração, com Auto Focus, liberam
o fotógrafo de ajustes e cálculos técnicos, desde que o
mesmo saiba operá-la adequadamente, desenvolvendo a
capacidade de escolher bem o assunto e explorá-lo
visualmente o melhor possível.
ESTA É A PRIMEIRA CONDIÇÃO PARA SER UM BOM FOTÓGRAFO!
Artigo originalmente publicado na Revista “ Photo &
Câmera”, N. 03, Ano 1. AUTOR:Prof. Dr. Enio Leite. Focus
- Escola de Fotografia
© Todos os direitos reservados para Enio Leite - FOCUS
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