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A INFORMAÇÃO NA
FOTOGRAFIA
Há uma ciência, denominada TEORIA DA INFORMAÇÃO,
que estuda e prevê por fórmulas matemáticas e métodos
estatísticos, o conteúdo da mensagem fotográfica na
comunicação, e a sua devida repercussão dentro das
mídias imprensa ou eletrônica.
Na formação, ou elaboração, da mensagem há três
conceitos que coexistem e moldam-na, para oferecer a
possibilidade de compreensão do receptor.
O primeiro conceito é a INFORMAÇÃO, determinada
pelo grau de improviso, pela novidade. Por exemplo: uma
pessoa está numa fila, a espera do ônibus, de repente
escorrega e cai. O escorregão e o tombo são a
informação, pois o fato é inesperado. Portanto, a Teoria
da Informação coloca em primeiro plano a IDÉIA DE
NOVIDADE, como valor central objetivo, pois esta
pode ser medida matematicamente. E, assim substitui a
noção de "beleza transcendente" que é muito difícil de
ser utilizada na prática, visto que se fundamenta em
subjetivismo.
Às vezes, na mesma mensagem há REDUNDÂNCIA. No sentido
atribuído ao termo, quer dizer, repetição. É o oposto da
informação, que se apresenta na mensagem de várias
maneiras. Uma mensagem redundante pode ser
desnecessária.
Como o valor é quantitativo, uma mensagem 100 %
redundante é banal, dispensável, pois não traz nenhuma
novidade a quem a interpreta, além de reduzir o próprio
índice de informação. Entretanto, a redundância ainda
pode ser:
A) Redundância de Objeto - quando o elemento fotografado
é o mesmo em várias situações.
B) Redundância de Sentido - quando os elementos são
diversos (vários objetos), mas, o sentido é o mesmo.
C) Redundância de objeto-sentido - quando o objeto e o
sentido são os mesmos, isto é, temos uma repetição como
se fosse uma cópia xerox.
O ultimo conceito dentro da mensagem é do RUÍDO.
É tudo que não pertence a um contexto mas é inesperado.
Em outras palavras, é o que causa interferência na
transmissão da idéia ou o que atrapalha a comunicação.
Por exemplo: na fotografia, é quase comum o negativo se
apresentar riscado. As razões estão fora do contexto
(imprudência na manipulação do material durante o
processamento) e a posterior ampliação revelará risco na
imagem, o que atrapalhará quem a observar.
Portanto, ruído pode ser definido como qualquer
interferência externa, fora do contexto da mensagem.
Entretanto, o próprio ruído pode ser utilizado como
aumento da informação. O próprio fotógrafo pode, por
meio de um estilete bem fino, riscar propositadamente o
negativo, criando novas formas ou imagens, para
aprimorar a sua mensagem. Ou ainda, fotos de menores ou
pessoas nuas publicadas em jornal com a tradicional
tarja preta.
TIPOS DE FOTOGRAFIA
De maneira breve, podemos classificar a fotografia em
dois tipos, segundo as circunstancia em que ela se
inscreve:
Primeiro, no caso de se apresentar isolada, ou seja,
mesmo estando em grande número, ela possui
características autônomas, (mensagens autônomas) que se
diferenciam.
Segundo: São as denominadas de sintaxe. Nestas, há um
conjunto de fotos relacionadas entre si, numa seqüência
disposta ordenadamente, como é o caso corrente das
revistas ilustradas, ou fotonovelas.
As fotos em formas de sintaxe (seqüência), podem ser
definidas de duas maneiras:
1) Cronológica, quando se acompanha movimento por
movimento para se reduzir o fato;
2) E, lógica, quando não é preciso um acompanhamento
rígido de todos os detalhes, para deduzir o fato. Os
pormenores são sugeridos pela ausência. Porém, tanto as
fotos isoladas como a sintaxe compõe-se de outros
critérios diferenciados. Estas podem ser concebidas de
três maneiras:
FOTO POSE - Há preparação, isto é, ela é
preconcebida para determinado fim, e seu objetivo é
demarcado, tem consciência do que se pretende mostrar. O
exemplo comum que pode ser identificado, freqüentemente,
na imprensa, são as fotografias de políticos
cumprimentando populares, ou crianças, e fotografias de
moda, publicadas em revistas femininas.
FOTOS OBJETO - Podem ser apresentadas de duas
formas, quando se fotografa um elemento (objeto), ou
quando alguém representa um objeto. No primeiro caso, é
simplesmente objeto sem si, e sua significação.
Já no segundo, alguém se torna personagem, pois é
retratado na forma do objeto, ora substituindo o
conteúdo numa ligação de significados sugeridos. O
exemplo clássico é a tradicional foto do rapaz da “casas
Bahia”, ou o próprio "baixinho" da Kaiser. Fica clara,
associação de significados. A presença da pessoa,
automaticamente nos remete ao produto ou situação
específica.
FOTOS CHOQUE - Na essência são fotos
"realísticas", ou hiper-realistas, no sentido de dar a
noção exata do fato, e do instante em que o fotógrafo a
colheu. São flagrantes de acontecimentos. O que, por
outro lado, não descarta do fotógrafo um rápido estudo
dos melhores ângulos ou momentos mais propícios para
registrá-la. Isto depende do seu senso de oportunidade.
O exemplo, também clássico, da foto-choque, foram
àquelas do maremoto da Ásia, incêndios, rebeliões,
atentados terroristas. Entretanto, há casos de
manipulação “em loco” ou posterior na redação, que podem
converter fotos pose em foto-choque, apesar deste
procedimento ser condenado pela ética do jornalismo
internacional.
Prof. Enio Leite
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