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A FOTOGRAFIA OFERECE
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A Fotografia oferece uma série de atribuições: todos
fotografam visando vários objetivos: recordar um momento
de vida que passa documentar um fato ou um fundamento
técnico, divulgar uma visão de mundo ou simplesmente
expor um conceito, uma idéia.
A Fotografia antes de tudo é uma linguagem. Um sistema
de códigos, verbais ou visuais, um instrumento visual de
comunicação. E toda a linguagem nada mais é do que um
suporte, um meio, uma base, que sustenta aquilo que
realmente deve ser dito: a mensagem. Um simples e-mail
ou a obra “Guerra e Paz” de Tolstoi, em dois volumes.
A mensagem é uma derivação de dois fatores: conotado e
denotado. Qual é a diferença entre o cachorro amigo e o
amigo cachorro? Enquanto a primeira é descritiva, a
segunda já atribui um determinado valor metafórico.
A Fotografia, ao contrário do que pensamos não é uma
cópia fiel da realidade fotografada. Isto porque a
objetiva da câmara “filtra” essa imagem e o filme por
sua vez a distorce, alterando sua cor, luminosidade e a
sensação de tridimensionalidade.
Contudo, por mais que se queira apreender essa realidade
em toda a sua amplitude, qualquer tentativa técnica é
inútil, mesmo porque cada um de nós a concebe de modo
distinto.
E tudo aquilo que não é real ou análogo, passa a estar a
serviço das mitologias contemporâneas.
A Fotografia não apenas prolonga a visão natural, como
também descobre outro tipo de visão, a visão
fotográfica, dotada de gramática própria, estética e
ética peculiar. Saber ler, distinguir o detalhe do todo,
pode resultar num aprendizado sem fim, e então aquela
coisa que não tinha a menor graça para quem as observam,
passa a ter vida própria. A Fotografia não é realista,
mas sim surrealista nativamente surreal. Embora a
Fotografia gere obras que podem ser denominadas por
arte, esta subjetividade, pode mentir provocar, chocar
ou ainda proporcionar prazer estético. A imagem
fotográfica não é, para começo de conversa, uma forma de
arte, em absoluto. Como linguagem, ela é o meio pelo
quais as obras de arte, entre outras coisas, são
realizadas.
A Fotografia é sempre uma imagem de algo. Esta está
atrelada ao referente que atesta a sua existência e todo
o processo histórico que o gerou. Ler uma Fotografia
implica reconstituir no tempo um assunto, derivá-lo no
passado e conjugá-lo num futuro virtual.
Assim, a linguagem fotográfica é essencialmente
metafórica Esta atribui novas formas, novas cores, novos
sentidos conotativos e denotativos. Estas comprovam que
a Fotografia não está limitada apenas ao seu referente;
ela ultrapassa-o na medida em que o seu tempo presente é
reconstituído, que o seu passado não pode deixar de ser
considerado, e que o seu futuro também estará em jogo.
Ou seja, a sobrevivência de sua imagem está intimamente
ligada á genialidade criativa e intelectual de seu
autor.
(*) Artigo originalmente publicado na
Revista Super Foto Prática, número 32, Lisboa. Prof.
Enio Leite - Focus Escola de Fotografia.
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