O LADO POSITIVO DA IMAGEM

Mesmo com a vantagem de oferecer maior definição, o filme reversível, ou positivo, continua pouco conhecido e usado apenas por fotógrafos profissionais

Por: Danielle Pinto, fonte Photos/UOL

O nome pode variar. Pode ser chamado de filme reversível, cromo, slide, diapositivo e até mesmo de transparência colorida. Porém, sua característica é única. O filme reversível é uma película fotográfica colorida com grãos mais finos e maior definição de imagem. Ao contrário do filme negativo, que registra a imagem invertendo tons e cores, o filme positivo capta a imagem como ela é de fato. “O negativo preto e branco inverte os tons: o que é claro fica escuro e o que for escuro fica claro. O negativo colorido faz uma inversão de cores. As cores serão registradas por suas cores complementares: o vermelho é registrado como ciano, o verde como magenta e o azul como amarelo. O filme reversível é diferente, porque não faz essa inversão de cores ou tons. No positivo, o vermelho ficará vermelho, o verde ficará verde e o amarelo ficará amarelo”, explica o professor Paulo Rossi, da Faculdade de Fotografia do Senac. Rossi, que leciona fotografia há nove anos e é fotógrafo há 15 anos, destaca também outro aspecto que difere um negativo de um positivo: o resultado obtido. “Por ser uma imagem direta, o filme positivo reproduz melhor saturação de cores, escala de tons, contraste e brilho. Boa parte dos filmes negativos resolve bem os aspectos citados, porém não tem a mesma qualidade visual do cromo”. Apesar de oferecer melhor resultado na capturação de imagem, o filme positivo ainda fica quase que restrito ao uso profissional. Primeiro, porque o seu custo é bem mais alto se comparado ao filme negativo. “Um filme com 36 poses, mais a revelação e as molduras, custa em média R$ 70,00”, revela Rossi. Outro fator que afasta o amador do filme reversível é a impossibilidade de mostrar as fotos. Para exibir as imagens, é necessário o uso de um projetor de slides, que além de ser relativamente caro, não é nada prático para se carregar para todos os lados. Segundo Rossi, outra desvantagem é a baixa latitude de exposição do filme positivo à luz. “Podemos entender latitude como sendo a margem de erro, que associada à falta de habilidade técnica do público amador, faz com que muita gente desanime com os resultados finais das fotografias em cromo”. Fotógrafos profissionais da área de publicidade e moda estão mais habituados ao uso do cromo, o que muitas vezes é uma exigência da agência responsável pelo serviço. O fotógrafo gaúcho Raul Krebs, que está no ramo de foto publicidade desde 1995, opta pelo cromo em quase todos os seus trabalhos. “Uso cromo, muito mais pela necessidade de rapidez e agilidade do que por querer mesmo. Eu uso eventualmente negativos, mas somente quando o trabalho exige, seja pela linguagem a ser utilizada ou porque tenho um bom prazo”. Krebs conta que quando fotografa com negativo chega a perder três dias entre mandar revelar o filme, fazer contatos e cópias fora do estúdio. Como possui uma processadora Jobo em seu estúdio, o custo de usar cromo fica menor do que o negativo. Especializado em fotografia de esportes, Motaury Porto freqüentemente faz trabalhos para revistas como a Fluir e Hardcore. “Editorialmente ainda existe uma exigência para que o trabalho seja feito em cromo, porém, comercialmente, em trabalhos publicitários, eu tenho usado o digital”. Nas matérias para revistas, quando o trabalho tem que ser feito em cromo, ele opta pelo Ektachrome E100VS da Kodak. Apesar de gostar de trabalhar com o positivo, Motaury conta que está passando a usar o digital, devido à facilidade de todo o processo. Por que ele é chamado de reversível? Para entender o termo “reversível”, é preciso antes ter uma brevíssima noção da estrutura de um filme cor. Um filme P&B possui uma camada de emulsão foto-sensível, composta por sais de prata suspensos numa gelatina orgânica incolor. Já um filme cor é composto, grosso modo, por três camadas de emulsão foto-sensível, cada uma delas capaz de assimilar uma das seguintes cores da luz: vermelho (R), verde (G) e azul (B). Em cada camada há acoplantes. Para facilitar o entendimento, imagine tais acoplantes como microbolhas portadoras de corantes presentes nas camadas do filme, responsáveis por liberar pigmentos coloridos (ciano, magenta e amarelo) durante o processo de revelação. O filme positivo é na verdade um filme negativo preparado para ser positivado, ou revertido, durante o processamento químico. O primeiro banho químico pelo qual passa o cromo chama-se Primeiro Revelador : sua função é tornar a prata sensibilizada pela luz em prata metálica, obtendo uma imagem em negativo e sem cores, como num filme negativo P&B. O segundo passo é sensibilizar quimicamente - ou com luz - a prata remanescente não metalizada pelo Primeiro Revelador. Na seqüência, o filme passará pelo Revelador de Cores: a prata remanescente, agora sensibilizada quimicamente, será transformada em prata metálica formando uma imagem positiva. À medida em que a prata vai sendo metalizada, este segundo revelador reage com os acoplantes, formando pigmentos coloridos em cada uma das camadas do filme. Assim sendo, é na segunda revelação do filme que se obtém a imagem positiva. A imagem negativa formada na primeira revelação é revertida pelo segundo revelador, após a prata remanescente haver sido quimicamente sensibilizada. Para terminar, toda a prata do filme será eliminada, restando apenas a imagem formada por corantes. Quem vende reversíveis Kodak Mais vendido: Kodak Ektachrome E100 VS *Preço: 34,60 Onde encontrar: 0800-150000 Fuji Mais vendido: FujiChrome Provia 100F/400F *Preço: 43,00 Onde encontrar: 0800-128600 Agfa Mais vendido: CT Precisa *Preço: R$ 16,00 Onde encontrar: 0800-126725 * Preço pesquisado no varejo em março/2003 para filme 35mm de 36 poses, sujeito a alterações.

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