A FOTOGRAFIA DIGITAL NÃO PROCESSA CORES, PROCESSA NÚMEROS BINÁRIOS.

Inicialmente recebida com certa dose de resistência por muitos fotógrafos, hoje a fotografia digital é uma realidade no dia a dia de todos nós.

Nossas câmeras de médio formato ou ainda 35mm com filme eram bens duráveis, ou seja, o investimento feito em equipamento era o mesmo usado durante muitos anos. A necessidade de renovação das câmeras era praticamente inexistente, o fotógrafo optava em geral por Mamiya, Hasselblad, Pentax nas de médio formato e Nikon ou Cânon dentre as câmeras de 35 mms. Uma vez feito o investimento em corpo, back Polaroid mais umas 3 ou 4 lentes, o kit básico lá estava e era durável, o fotógrafo trabalhava com ele por muitos anos. O custo com filmes e revelação era do cliente, seja fornecido diretamente pelo cliente no caso das fotos encomendadas por editoras ou incluído no preço do job no caso da foto publicitária.

O panorama mudou muito com a entrada da tecnologia digital para a produção de fotografias. Inicialmente com resolução e qualidade baixas, hoje a fotografia digital conta com excelentes câmeras para a captação de imagens. Ganhou-se muito em agilidade e a possibilidade da foto estar na mesma hora na tela do computador.

No entanto, o fotógrafo se vê hoje diante da seguinte realidade: as câmeras precisam ser renovadas a cada dois ou no máximo três anos. Assim como nossos computadores que para processar imagens cada vez mais pesadas precisam de melhores processadores, mais memória. Os cartões de memória, igualmente, aquele de 512 mega que usávamos a 3 anos atrás hoje precisa ser de 2 ou 4 giga. Mais HDs externos, novos notebooks....

Isso criou uma constante corrida pelo equipamento que conseqüentemente encareceu o custo de manutenção do estúdio. Em termos práticos, para cada job precisamos embutir uma margem financeira que nos permitirá guardar dinheiro para daqui a dois anos para trocarmos nossos equipamentos.

A internet e toda a realidade digital trouxeram um novo mundo para os fotógrafos pela possibilidade de intercâmbio e comércio de fotos por pessoas fisicamente muito distantes. Podemos organizar nossos arquivos e criar um banco de imagens próprio através de softwares específicos e novos padrões em nosso fluxo de trabalho e através de um site colocar suas imagens à disposição e em exposição em todo o mundo. Assim, criou-se uma nova dimensão para toda a fotografia que antes era sempre um corpo físico fosse ele papel, transparência, revista ou livro.

Hoje ela é também virtual, pode ser vista simultaneamente no mundo todo. Falar de tecnologia digital é falar de muitos aspectos simultâneos que foram introduzidos em nossas vidas há não muitos anos. É a possibilidade de pesquisa, de intercâmbio cultural, comercial e cultural que põe lado a lado na internet nossas fotos, revistas virtuais, acervos de galerias de artes, sites pessoais, comerciais, redes de relacionamento de música, vídeo, cinema e outros interesses específicos. Através da fotografia digital eu hoje compro produtos, vejo fotos do último fim de semana dos meus amigos e vendo meus trabalhos.

FALANDO DE DIGITAL

A digital não capta cor, processa números. É como o computador faz, tudo são números. Cada pixel é composto por um conjunto de sensores R, G e B. Um ou dois para o Red e assim também para o Green e para o Blue. Cada um com um número que representa suas cores e tonalidades. Isso seria o negativo das fotografias captadas. É o que se denomina formato RAW. A partir daí, para obtermos a “revelação” das fotos, é necessário converter estas informações para um formato específico que vão ser lidas pelos softwares dos computadores.

A maior parte das câmeras amadoras faz automaticamente a conversão para o formato jpeg seguindo parâmetros que são as opções de ajuste dadas pela câmera. O formato jpeg tem a característica da compressão destas informações que torna a informação mais “leve” para ser transportada fechada. Mas o que o jpeg faz é pegar um grupo de pixels, atribuir uma média numérica para quando a foto for “fechada”, aquele volume de números (pixels) possa ser representada por apenas um número, o médio. São os fatores de compressão (de 1 a 12, sendo este último o menos compactado). No entanto, quando a foto é aberta novamente, todos aqueles pixels passaram a “ser iguais”, fazendo com que haja perda de nuances em nossas fotos, sejam elas impressas em revistas, gráficas, etc.

As câmeras profissionais no entanto tem sempre a opção de captação em RAW. Através de um software do tipo raw converter em nosso computador, podemos fazer ajustes de saída muito mais precisos de exposição, temperatura de cor, contrastes, aplicar curves, e outras ferramentas antes da conversão para formatos não comprimidos como TIFF ou PSD, ou mesmo dar saída em jpeg se preferirmos, mas temos sempre um original de captação como de fato um negativo. Fazemos outros ajustes como 8 ou 16 bits (o primeiro para internet e minilab e o segundo para impressão) e formatos do tipo sRGB e Adobe RGB que se ajustem melhor à necessidade de seu cliente ou sua pessoal. É um método não destrutivo e sem perdas da imagem, pois o arquivo em si não é alterado, mas cria-se um outro arquivo de parâmetros de saída que pode sempre ser alterado sem que se altere os números originais de captação.

Assim, o fotógrafo pode com critérios muito mais específicos, dar saída com mais qualidade e controle que o software que vem embutido na câmera e que faz automaticamente a conversão exclusivamente para o formato jpeg. O que temos então é que o grupo de fatores que levam uma foto a ter maior qualidade é muito maior que a quantidade de megapixels que ela oferece.

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