FOTOGRAFIA DIGITAL E PRESERVAÇÃO DA IMAGEM

Por: Enio Leite
Focus Escola de Fotografia  http://www.escolafocus.net


Desde sua invenção, a fotografia tem sido utilizada como instrumento para a memória: um ínfimo recorte do tempo e do espaço que, registrado através da luz, poderá ser perpetuado por séculos. Porém, se não preservarmos essa imagem ela desaparecerá, como efêmera que é. A fotografia digital também se mostra frágil, colocando novos desafios para a preservação. Para muitos fotógrafos, a película fotográfica ainda é o meio mais seguro de conservação de uma imagem.
Como fazer para que milhões de imagens produzidas todos os anos não se percam? Como protegê-las da ação do tempo e garantir que elas continuem a comunicar ao longo de outras gerações? Desde o início da fotografia digital esse debate se tornou fundamental dentro dos centros de documentação e museus e, agora, começa a ganhar lugar também nas maletas fotográficas e nos arquivos pessoais de todos aqueles que adoram fotografar. Durante anos a chamada síndrome do vinagre foi a grande vilã que deteriorou quilômetros de rolos de filmes fotográficos, com seus fungos corroendo a história da vida privada de famílias em todo o globo. Porém, além da corrosão, existe um problema tecnológico: as indústrias estão produzindo cada vez menos papel fotográfico. Além da restauração, existe a questão do material. Se uma imagem, hoje, estraga, muitas vezes você não pode fazer outra, pois não existe mais o papel. E a película fotográfica ainda é o meio mais seguro de conservação de uma imagem. Ressaltamos, ainda, a incerteza quanto ao tempo de vida dos suportes tecnológicos que, voltados para o mercado, podem desaparecer rapidamente das prateleiras das lojas fotográficas, deixando milhões de arquivos presos em um formato incompatível.

Há a necessidade da preservação preventiva: que o próprio fotógrafo selecione e organize periodicamente suas imagens, mantendo-as atualizadas com as mudanças tecnológicas.“O que se guarda acaba tornando-se a nossa história e o que não é guardado se perde e é apagado de nossas memórias, precisamos escolher o que queremos guardar, principalmente diante da possibilidade, com a fotografia digital, de se produzir grande quantidade de imagens. Por isso, seria fundamental uma seleção periódica, para impedir que aquilo que é realmente importante se perca junto com todo o resto.

A questão da velocidade com que novas tecnologias são colocadas e retiradas no mercado e como esta rapidez é um dos principais fatores de risco para a perda da memória fotográfica. Para evitá-la, é preciso sempre migrar os arquivos para a tecnologia mais recente, evitando que eles fiquem presos em um suporte obsoleto (como já ocorreu com os disquetes).


A preservação preventiva é fundamental para minimizar os fatores da degradação do material. A questão não é apenas o quê guardar, mas como guardar. O padrão utilizado e recomendado pelos centros de memória ainda é o ponto tiff. A idéia proposta foi a de se salvar imagens com duas resoluções diferentes, uma mais baixa - para facilitar o acesso - e uma alta, destinada a um arquivo permanente. Ponto comum na fala de todos os palestrantes, portanto, é a preocupação com a vida dos arquivos: cada fotógrafo deve criar um sistema de catalogação de suas imagens que permita sempre revê-las, pois apenas com a revisitação é que a memória permanece viva.


Nossa sugestão é a de que cada amante da fotografia faça um livro por ano, escolhendo as fotografias que mais lhe significam: “monte, escreva legendas, dê um nome e mande encadernar com capa dura. Pronto: você terá uma prática forma de guardar viva suas memórias. Mas prefira sempre papéis para jato de tinta a base de algodão.


1- Síndrome do vinagre

Esse nome lhe é atribuído pelo forte odor de vinagre gerado pela reprodução de fungos nas películas fotográficas de acetato. O processo ocorre por causa do acondicionamento inadequado. Ele pode expor a película à umidade e às altas temperaturas, favorecendo a proliferação de fungos devido ao ácido acético residual da revelação, que permanece na película, e se liga com os cristais de prata do filme fotográfico. Assim, partes da imagem terminam cobertas por esse fungo e partes são corroídas por ele.

2- Impressão de Jato de Tinta


As impressoras jato de tinta são as impressoras mais vendidas atualmente. Ao invés de usar agulhas e fita como as matriciais, as impressoras jato de tinta trabalham espirrando gotículas de tinta sobre o papel, conseguindo uma boa qualidade de impressão, próxima à de impressoras a laser. Outra vantagem destas impressoras é seu baixo custo, o que as torna perfeitas para o uso doméstico.
Estas impressoras podem usar basicamente três tecnologias de impressão: a Buble Jet, ou jato de bolhas, a Piezoelétrica e a de troca de estado.

A tecnologia Buble Jet foi criada pela Canon, que detém a patente do nome até hoje. Esta tecnologia consiste em aquecer a tinta através de uma pequena resistência, formando pequenas bolhas de ar, que fazem a tinta espirrar com violência sobre o papel. Esta tecnologia é usada em várias marcas de impressoras, como as da própria Canon. No caso das impressoras HP, a tecnologia recebe o nome de "Ink Jet", apesar do princípio de funcionamento ser o mesmo.

Uma desvantagem desta tecnologia é que, devido ao aquecimento, a cabeça de impressão costuma se desgastar depois de pouco tempo, perdendo a precisão. Por outro lado, por serem extremamente simples, as cabeças são baratas, e por isso são embutidas nos próprios cartuchos de impressão.

As impressoras Epson por sua vez, utilizam uma cabeça de impressão Piezoelétrica, que funciona mais ou menos como uma bomba microscópica, borrifando a tinta sobre o papel. A cabeça de impressão consiste em uma pequena canalização, com um cristal piezoelétrico próximo da ponta. Quanto recebe eletricidade, este cristal vibra, fazendo com que gotículas de tinta sejam expelidas para fora do cartucho.

Esta tecnologia traz como vantagem uma maior precisão, que permite numa impressão com uma resolução muito maior. A Epson Stilus 600, por exemplo, é capaz de imprimir com até 1440 DPI (pontos por polegada) enquanto uma HP 692C, que está na mesma faixa de preço, imprime no máximo a 600 DPI.

A HP por sua vez, alega que apesar de usarem resolução menor, suas impressoras possuem uma qualidade de impressão equivalente. A alguns anos atras ela lançou até uma campanha publicitária, falando de pontos por polegada e abacaxis por polegada.

Como as cabeças de impressão Piezoelétricas possuem maior durabilidade e, são muito mais complexas e caras do que as buble-jet, elas não são trocadas junto com os cartuchos, fazendo parte da impressora. Por um lado isso é bom, pois permite baratear um pouco os cartuchos, mas por outro lado, torna a impressora mais susceptível a problemas, como o entupimento das cabeças de impressão, sendo que troca em uma autorizada muitas vezes acaba custando mais da metade do preço de uma impressora nova.

Existem também impressoras de troca de estado, que utilizam tinta sólida, um tipo de cera, geralmente em forma de fitas. Nestas impressoras, a tinta é derretida e espirrada sobre o papel. A vantagem é que, como a tinta é um tipo de cera, a impressão assume um aspecto brilhante, com qualidade semelhante à de uma foto, mesmo usando papel comum.

Um exemplo de impressora de troca de estado é a Citizen Printiva, que possui uma qualidade de impressão surpreendente, mas que demora cerca de 6 minutos para imprimir uma página colorida e possui um custo de impressão salgado.

3 - Os mitos da impressão jato de tinta

Foto impressa em jato de tinta desbota, não dura nada? Você precisa rever seus (pré) conceitos.

A maioria dos fotógrafos tem alguns conceitos errados sobre a foto impressa em jato de tinta. Os mais arraigados são sobre durabilidade, qualidade e preço.

Durabilidade – Quanto tempo dura um foto em papel fotográfico tradicional? Os fabricantes garantem mais de cem anos, em condições que distam muito da realidade. O consumidor comprou esta característica e não entende por as fotos no álbum de plástico ácido estão desbotadas. Eles também desconhecem que as fotos impressas em jato de tinta pode durar bem mais que a química. O processo é por transferência de tinta, semelhante mas muito superior ao gráfico, mais estável que o cromogênico.
A durabilidade depende, além das condições de armazenamento, principalmente das tintas e papel utilizados.
As tintas Ultrachrome K3 tem pigmentos à base de água, com proteção UV. Deferentes das outras tintas a base de solvente, destinadas ao mercado de sinalização, que não têm a mesma finalidade de durabilidade e não são indicadas para memória fotográfica. Os papeis profissionais de jato são resistentes à água e ao raois UV. Os de qualidade museu (“fine art”) são “acid free” e 100% algodão na composição.
A empresa WIR (Wilhelm Imaging Research, Inc.), que pesquisa a estabilidade e permanência da fotografia colorida tradicional e digital e presta consultoria museus e arquivos como MoMAde Nova York e Corbis, testou o stylus Pro 3800 e as tintas Ultrachrome K3. A fototela sem spray de proteção, emoldurada com vidro chegou a 105 anos. Sem vidro, 76 anos. Se armazenados no escuro ou em álbum com controle de temperatura 22ºC e umidade de 50% , a maioria dos papeis atingiu 200 anos. Alguns até 300 anos.

Qualidade – A pesquisa constante na tecnologia de tintas, de impressão e nos softwares garantem alta qualidade às impressões feitas em jato de tinta.
Algumas impressoras utilizam MicroPiezo, em que pulsos elétricos forçam as microgotas de tinta a passar pelos bicos da cabeça de impressão, atingindo o papel com velocidade balística e altíssima precisão, garantindo alta definição da imagem. As impressoras profissionais alcançam resolução real de 2880 x 1440 dpi. Imprimem em oito cores e o lançamento do Vivid Magenta veio aprimorar o rendimento de azuis e violetas intensos.
Além das vantagens de ter a performance melhorada com novos drivers sem precisar trocar o equipamento e os sistemas de auto-ajust sem interrupção da produção.
A tecnologia MicroPiezo somada às tintas pigmentos Ultrachrome K3 e aos papéis microporosos garantem a longevidade da foto, com altíssima qualidade.

Preços – Comparar uma impressão jato de tinta profissional com uma cópia 10 x 15 química não tem lógica. Uma impressora jato de tinta profissional não revela commodities. Ela gera produtos de valor agregado.
Elas são econômicas, umas vez que se eliminam as perdas, a manutenção é baixa e a tecnologia de pressurização dos cartuchos e da cabeça de impressão controla o uso correto das tintas.
Impressoras jato de tinta não produzem volume. Elas oferecem agilidade com qualidade e versatilidade. O custo x benefício é indiscutível.

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