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DEBATE
FOTÓGRAFOS DE MODA na ABRAFOTO: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
FOTÓGRAFOS PUBLICITÁRIOS
TEMA: – FOTOGRAFIA DIGITAL X FOTOGRAFIA ANALÓGICA
Nós não queremos manter o nível da conversa no confronto
entre digital e analógico, não é essa a nossa idéia
hoje, a nossa idéia é conversar um pouco, além disso. É
conversar sobre a produção do digital no mercado, as
tendências quais vão ser, o que vai acontecer, por que
os fotógrafos têm que se adaptar às novas realidades, ou
não, talvez as pessoas achem que não. E principalmente,
hoje em dia, quem aceita o trabalho digital, eu acho que
isso também é uma questão que a gente precisa discutir
muito. Aqui tem art buyer, pessoas que trabalham em
agências. Esta aceitação do mercado, até quando ela
acontece, se isso acontece, por que usar o digital, se a
tecnologia está lá, por que todo mundo não aceita, se
não vai chegar. Acho que são questões que estão na
cabeça de todo mundo e a gente vai começar a falar um
pouquinho aqui. Todos tinham falado para começar falando
um pouco de cada um. Todo mundo aqui tem a sua história
na fotografia absolutamente respeitável e incontestável.
Está aberto para todo mundo fazer perguntas para a gente
poder fazer um debate. Então, podemos começar, fiquem à
vontade. É com vocês. Klaus, por favor.
KLAUS MITTELDORF – Eu acho que é difícil você falar
disso. Eu vou falar um pouquinho de mim. Eu sou muito
ligado à fotografia química, filmes, há muito tempo, até
hoje eu sou fã de filme, mas, tem um lado meu que é uma
coisa interessante, eu sou da opinião que não se deve se
opor às coisas. Cada técnica que existe no mercado, é
uma técnica válida. Eu sempre tive esta postura, eu
gosto de experimentar, não só no trabalho pessoal, mas
também, na publicidade. Então, eu acho que o digital é
uma nova forma de você ver e documentar as coisas. Não
impede que você siga trabalhando normalmente com outros
meios do mercado. O que eu quero colocar em questão
aqui, que eu acho importante também, é o porquê do
digital estar sendo colocado tão acima dos outros meios,
como o filme, porque eu acho que tudo é válido. Há 20
anos atrás o cinema, o vídeo roubou praticamente o
filme, que era usado pelos populares, o povo não usa
filme para filmar, eles usam o vídeo. Eu acho que este
mesmo processo está acontecendo um pouco na fotografia,
de repente as grandes multinacionais viram que a digital
dava muito lucro pra eles, e deram uma opção para quem
trabalha seriamente com isso. Então esta é uma discussão
que deveria ser levantada também aqui. Eu não concordo
muito, porque a gente é livre, o fotógrafo trabalha como
quiser, você tem opções.
PLATÉIA – Klaus, você acha que a questão do digital, que
todo mundo coloca muito, de ser mais barato, e isso
também influencia no orçamento?
KLAUS MITTELDORF – Dentro da publicidade tem gastos
enormes, e tem o processo de racionalizar um pouco a
produção. Eu não sei se a digital é mais barata, é uma
questão para ser colocada aqui também, eu não posso
falar disso com certeza, porque eu não trabalho na
publicidade com digital. Eu acho que não é a questão,
não é por aí. Na minha opinião mais sincera, é um
modismo, e depois que passar este modismo,
automaticamente as coisas vão se acertar de novo. Muita
gente está, inclusive, tendo que trabalhar com filme,
está meio, até, que sendo obrigado a fazer uma coisa,
que na verdade não é obrigatório. O filme tinha que ser
mais barato no mercado para poder competir com o
digital. Esta é uma questão fundamental pra gente.
Embora a gente pague muito mais pelo material, que a
gente importa aqui, e você paga menos em outros países,
mas provavelmente o digital, o perfil da foto digital,
vai ser muito mais barato. Acho que eu queria colocar
isso em discussão. Como que a agência encara isso.
HILTON RIBEIRO – Existe um mito do digital ser mais
barato. O equipamento é caríssimo, põe uma pessoa para
manipular, precisa de uma qualidade de impressão muito
maior. Esta é uma falsa impressão de que o digital é
mais barato. Fora que o digital tem que ter qualidade
sempre.
KLAUS MITTELDORF – A primeira vista é esta. Eu sou da
opinião que no digital você não define a coisa tão
simples, você faz a foto e tem que fazer um milhão de
coisas...
HILTON RIBEIRO – De linguagens né?
KLAUS MITTELDORF –De linguagens. Eu trabalho
digitalmente em outros formatos, não profissional, com
celular, é uma coisa que eu tenho tesão em fazer, mas é
um digital com uma textura determinada, que me traz,
para eu fazer as minhas artes. Assim como eu fotografo
digitalmente em baixo d’água, tenho uma digital
aquática, acho interessante, mas, substituir não. Acho
que são duas linguagens distintas, as duas são ótimas.
Esta questão é boa também. Seria bom que as pessoas
participassem desta discussão. Andreas.
ANDREAS HEINIGER – Hoje temos equipamentos de alta
tecnologia, de altíssimo nível. Nunca se teve tanta
facilidade por um preço razoável. Quando surgiu
Ektachrome, cada vez que chegava do laboratório era uma
coisa, era um horror. Aí veio o E6, a coisa ficou
absolutamente diferente. Se você puxava meio ponto não
sabia o que ia aparecer. O cara bom era o cara que sabia
usar o filme. Agora com o digital é muito semelhante, e
a discussão é sempre levada para a técnica, cada um se
gaba por ter 6 megapixels, 8, 11. (risos) Isso porque
não tem 38 ainda. (risos) Cada pessoa tem uma
característica, somos profissionais diferentes. Outra
vez vai dividir este mercado.
KLAUS MITTELDORF – Eu acho que a gente, no nosso mercado
aqui, basicamente de São Paulo, existe um respeito. A
gente não pode esquecer, que nos Estados Unidos, etc,
você tem um mercado com muita produção. A nível mundial
o processo está mudando, eu acho inclusive que está
crescendo os outros mercados, o fine art, por exemplo,
ele cresce cada vez mais, e a gente percebe que ele
depende tanto destas ampliações análogas e digitais, e
as pessoas que trabalham com isso estão cada vez mais
profissionais na sua área. Falta pra gente aqui uma é
uma desmistificação do mercado. O Brasil precisa
resolver este problema de que tudo que vira moda
extingue o resto, como na moda, depois volta tudo de
novo. A gente tem que esperar o tempo para tudo se
assentar. As pessoas vão sentir o que é bom e o que não
é, o que vale a pena. E automaticamente as outras coisas
vão pintar de novo. Que o povão não vai mais fotografar
com filme, é uma coisa clara. Ele não filma mais com
super oito, é uma coisa mercadológica, mas, ninguém
deixou de fazer cinema com filme e não vai deixar de
fazer nunca. É a mesma coisa. É uma questão do mercado
se assentar, criar as diversificações todas e se
desenvolver nas outras áreas. A gente fala da
publicidade, mas o digital tem crescido muito nas artes
plásticas, no fotojornalismo. E outras técnicas vão
surgindo e vão sendo desenvolvidas. E não é só na nossa
área que existe este problema do digital, ele existe de
uma maneira mais geral.
PLATÉIA - O que dá esta impressão de que o digital é
mais barato e a rapidez do digital também não é uma
coisa que engana?
KLAUS MITTELDORF - Olha o alemão, atrasado... (risos)
ANDREAS HEINIGER – No fundo temos que decidir qual é o
momento certo de entrar no digital. Uma tecnologia não
substitui a outra. A questão é a adequação do meio. O
mercado hoje você paga 60 mil dólares para ter um
equipamento digital, um computador. Outro problema do
digital é o arquivamento, porque obviamente ainda não
existe uma forma de arquivar, porque é um formato
descartável.
KLAUS MITTELDORF – Qual a durabilidade da foto digital?
MANOLO – Crispino, você está passando por este processo?
LUIS CRISPINO – A primeira foto que eu fiz com digital
foi com uma pequena, uma Coolpix, e foi muito engraçado,
porque o que eu tinha um arquivo que não servia, eu fiz
uma cópia e escaneei, saiu. Fotograficamente falando
ficou bom, eu gosto. Acidentalmente eu não errei, sem
nenhum parâmetro técnico, e aconteceu da imagem ficar
boa, equilibrada. Eu fiz uma ampliação 20 por 25 e disso
se fez o escaner lá, então, quer dizer, foi uma surpresa
agradável. Aí você começa a querer mais. E é uma
armadilha, na verdade você acha que é mais barato, mas
não é, justamente por causa do investimento. Você tem
que comprar a câmera, tem que contratar um birô, tem que
ter máquina pra isso, máquina pra aquilo, máquina para
descarregar, um HD externo, não sei o quê. Tenho umas
dez máquinas, metade delas em função da fotografia
digital. Tem o operador. É como um carro, que custa 20
mil dólares e quando você vai pegar na concessionária:
você vai levar com pneu, ou sem pneu? Não, me dá o pneu.
Vai querer volante também? (risos) Me dá o volante.
Parece barato, mas não é. É barato porque ela não te
paga o filme e revelação, isso é bom, na hora. E outra
coisa, parece rápido, mas não é, tem esta história
também. 700 imagens, quem é que vai editar? Você fica lá
como um louco, classificando. Eu acho também que tem uma
profundidade de campo muito curta, agora eu não sei
também se é porque eu tenho uma one shot.
THOMAS SUSEMIHL – Problemas, eu acho que tem milhares.
Você tem “n” problemas, o escaner sai desfocado, etc,
etc. Eu fiz recentemente um teste, com o pessoal da
Digital, interessante e peguei um cromo x que eu tinha
feito pra McCann da Coca-Cola. Eu gostava do EPP, sabia
que o EPP era um filme ultrapassado, não sei exatamente
a série, um é oito e o outro é doze, né? Eu fiz e o
pessoal deu um crop gigantesco de um centímetro por um
pra ver como vai dar à sete metros de altura. O cara me
ligou xingando porque não tinha foco e não sei o quê. O
problema não era foco, era o filme que eu tinha
escolhido somado ao problema do corte que eles tinham
dado. Bom, por curiosidade eu peguei um cromo seis por
seis e escaneei um arquivo mais ao menos similar o que
dá hoje um metro com de Sinar a 65 mega. Eu peguei um
Velvia, o DS, o Provia, peguei todos os similares, e
bati o mesmo clic com a digital. O problema que existe é
de moarê, de serrilhar o contorno. E seu eu quiser
crescer mais? Não vai crescer, você vai ou dar saída em
FTP, um cromo 4 por 5, que passa por um líquido que
amortiza isso, como vai sair uma cópia em lâmbda ou
mesmo que seja frontier, a qualidade também é boa. Então
este problema de armazenamento, que você estava falando
também, eu andei dando uma fuçada na internet, por
exemplo, alguns falam em cinco anos a durabilidade do
CD, o DVD falam em 25 anos, outros falam em cem anos,
está uma briga. Mas, eu acho que daqui a cinco anos, vai
morrer, eu não sei o que vem, vem n pessoas. Eu estou me
precavendo, estou usando HD lá, o ideal seria um sistema
high para não ter espelhamento interno.
ALEXANDRE CATAN - Mas, em relação à qualidade da imagem,
sem ampliação, à profundidade de campo, fala só um
pouquinho pra gente entender, por curiosidade. A
profundidade, a alta luz, a baixa luz.
THOMAS SUSEMIHL – Eu acho que quando você está falando
de profissionais back digitais, você consegue configurar
a curva, ou trabalhar o contraste. Você tem o controle
total na captura. Eu não quero ser estragador de prazer,
por exemplo, eu recentemente peguei uma D2X e estou
fazendo já alguns trabalhos com ela, foi a minha
experiência. Você tem propriedades de Canon, eu acho
que, pessoalmente, com os exemplo que eu vi, eu não
comparei com a Canon, mas a D2X, comparada com o back
digital, não perde fácil. A qualidade do CMOS (Sensor
Digital) está a anos luz. É um problema de software, me
parece que a Canon é superior, já conseguiram chegar. O
pessoal fica com aquela discussão: não, porque a 35
milímetros está chegando no back. Eu acho que não está
chegando.
ALEXANDRE CATAN – Não tem aquela questão que o back
digital pega um pedaço da imagem, não é full frame?
THOMAS SUSEMIHL – A D2X sim.
ANDREAS HEINIGER – O que existe hoje é 40 por 50, é 4 e
meio por cento. Já está usando 35 milímetros pela 4 por
5. Você pode jogar fora a 4 por 5, porque é só uma caixa
grande para botar um back pequeno.
PLATÉIA – Mas e os recursos na báscula...
ANDREAS HEINIGER – Mas, por isso lançaram a P3, que é
assim deste tamanho, ao preço da grande. (risos) Sem o
back.
HILTON RIBEIRO – O back digital para câmeras de grande
formato 4 por 5 é um absurdo.
THOMAS SUSEMIHL – Eu acredito que tem várias coisas
acontecendo, e quem conhece os softwares, que vão cada
vez melhorar mais o problema da interpolação de cor, que
existe com a captura. Não sei se todo mundo sabe, na
verdade dois CCDs lêem verde, um vermelho e um azul, e
na verdade ele faz uma interpolação de cor. Ele faz one
shot, então, isso também acentua o problema de moarê. Eu
acho que quando os caras conseguirem evoluir, parece que
os caras são meio ruins de negócio, esta firma americana
ia casar com a Hasselblad, há quatro anos atrás, e
acabou se juntando com a Sigma, e eles trabalham com o
sistema de três camadas como um filtro. É outra captura,
três vezes. É mal administrada e mal desenvolvida.
MANOLO MORAN – No cinema digital você consegue ver na
telona que é digital e o outro é película. Na fotografia
também é assim, ou não?
KLAUS MITTELDORF – Eu acho que um pouco, viu. Não dá pra
substituir uma coisa pela outra, a discussão começou
assim. É outra técnica.
THOMAS SUSEMIHL – “Thomas, você usa filme?” Sim, eu uso
filme. Eu gosto do filme, não estou derrubando nada, não
estou aqui defendendo nada.
KLAUS MITTELDORF – É mais uma opção que você tem.
PLATÉIA – Você faz trabalhos com filme?
THOMAS SUSEMIHL – Alguns clientes exigem e não tem
conversa, ou quando é um trabalho pessoal eu posso até
ter opção. Mas, têm alguns clientes que não querem
saber.
HILTON RIBEIRO – O que eu ando sentido por parte das
agências de publicidade é que, se você vai trabalhar em
digital, elas economizam no sentido em que elas não
precisam escanear os filmes. Se você vai fazer um grande
trabalho de 20 imagens, 40 imagens, 60 imagens, ele não
tem o custo do escaneamento. Então, eles estão cobrando,
de uma certa forma, da gente, os fotógrafos, para
economizar do outro lado. Não sei se isso procede ou não
procede. Eu acho que existe, de uma certa forma, uma
cobrança assim.
ANDREAS HEINIGER – Eu acho que dentro da publicidade
você tem que separar trabalho para catálogos, tablóides,
onde você tem uma infinidade de pontos, sei lá, 400
pontos em uma página dupla de jornal diário, que a
oferta de hoje sai amanhã, obviamente lá que tem uma
diferença. Mas, eles estão pagando e você vai estar
fazendo digital para não ter que fazer este escaneamento?
Não. Muito pelo contrário. Falando do aspecto econômico,
a interpretação do mercado é que se é digital,
teoricamente deveria ser mais barato. Acho que o Thomas
tem razão quando diz que não cobra mais barato, mas a
expectativa das pessoas é que se for digital tem que ser
mais barato. E é uma loucura, porque é ao contrário,
mesmo porque o filme nunca foi um fator relevante dentro
da fotografia. Eu tenho um levantamento dos últimos
quatro anos, eu pedi para fazer no estúdio, para ter uma
idéia, é quase vergonhoso de falar, mas eu não tenho o
menor escrúpulo: filme, revelação e Polaroid representam
quatro por cento do faturamento. É irrisório, não faz o
menor sentido discutir sob o aspecto de gastar 20 ou 40
rolos de filme.
PLATÉIA - Depende do valor agregado do seu trabalho lá.
ANDREAS HEINIGER – E, obviamente, a produção, hoje,
finalmente quando você chega lá para fazer o clic,
aquilo já consumiu tanto dinheiro para chegar neste
momento, que não vai ser 10 ou 20 rolos que vão fazer a
diferença. Concorda? O digital é completamente oposto,
você tem que ter hoje de tudo o melhor para chegar perto
do filme. Não pode dizer: eu vou comprar uma digital
mais ou menos. Não, você tem que comprar Canon, Sinar
back, ou Hasselblad, alguma coisa assim, até porque não
tem tanto, mas são todos produtos caros. E como o Luis
falou muito bem, e todo o rabo que vem atrás consome
quase a mesma quantia que o equipamento. Eu acho que, no
fundo, eu gostaria de levar a discussão mais, sobre este
tema, para o resultado, para a imagem. Nós somos
fotógrafos que fazemos imagens, e parece que estamos nos
transformando em engenheiros discutindo resolução. Não
me lembro de alguém me devolver uma foto dizendo que não
tinha qualidade suficiente para ampliar. (risos)
Qualquer formato, é até uma discussão, que o Fernando
deve lembrar muito bem, nos anos 80, era uma discussão
parecida, quando você chegou como fotógrafo e sugeriu
fazer um trabalho em 35 milímetros. As agências falaram:
pelo amor de Deus, 35, isso não tem qualidade. Tudo é
uma questão de como você trata o 35. Porque o problema é
que quanto melhor o equipamento, mais desleixado a gente
fica. A Sinar você põe no tripé, só por isso já tem mais
foco. (risos) Se você pega o 35 e põe no tripé, também
fica melhor. (risos) Porque as pessoas acham que com 125
avos não dá pra ficar tremido, mas fica. Óbvio, só que
não é visível. É visível como um leve desfoque.
MANOLO MORAN – Tem um trabalho seu, eu me lembro na DPZ,
em 89, você fez com Leica, na Irlanda, em página dupla,
com uma qualidade absurda.
PLATÉIA - Era kodachrome.
KLAUS MITTELDORF – Kodachrome é absurdo.
ANDREAS HEINIGER – Então, esta coisa da discussão do
mercado começa a se transformar em uma discussão
técnica, que a gente nem tem conhecimento suficiente,
porque é uma discussão de engenheiros. Porque 16
megapixels, não são 16 megapixels em todo lugar.
Qualquer camerazinha Coolpix que se compra por 600
dólares tem oito megapixels.
KLAUS MITTELDORF – Mas são outros oito megapixels.
(risos)
ANDREAS HEINIGER – Os sensores são um negocinho de 4 por
7 milímetros, e estes oito megapixels cabem lá dentro,
portanto eles são muito menores, e por serem menores,
captam menos luz, e por isso tem mais ruído. O grande
problema do digital é o ruído. Todo mundo fala: ah, você
pode botar até 1 600 ISO. Eu nunca vi ninguém conseguir
colocar em 400 sem ruído.
HILTON RIBEIRO - É que só tem uma sensibilidade
ANDREAS HEINIGER – Teoricamente.
HILTON RIBEIRO – Teoricamente não, praticamente.
ANDREAS HEINIGER – Mas, por quê?
HILTON RIBEIRO – Não adianta, é uma coisa que não é
verdadeira. Se você tem uma foto digital, que você expõe
a 50 ISO, por exemplo, aquele sensor é impossível variar
a sensibilidade dele, a constituição dele é a mesma
sempre. Então você faz uma puxada eletrônica. É a mesma
coisa que você puxar o filme, se eu pegar um Tri X 400
ISO. É uma puxada, ele vai ficar com ruído. Como fez lá
o Thomas, tenta expor 30 segundos em 200 ISO, fica uma
merda. Tem que expor a 50.
MANOLO MORAN – Pra quebrar um pouquinho a técnica aí.
Perguntar para o Julio Andery qual a expectativa de um
diretor de arte em relação ao digital ou analógico?
JULIO ANDERY – Hoje, nós escolhemos muito em função dos
prazos que a gente tem, da qualidade do trabalho
específico. Às vezes tem 40, 50 cromos, muito mais que o
custo é a agilidade que isso te dá. Agora, mandar
escanear tudo isso, se você tem um trabalho muito mais
próximo, você já tem que estar fazendo e já sai fazendo
com o prazo que você tem. Nós temos opções. Eu sou um
purista. Eu prefiro a cópia fotográfica, ter uma cópia
belíssima entregue ali para você poder sentir a textura
do papel, muito mais que o digital. Mas o digital tem me
salvado muito. Não preciso de grandes formatos, se tenho
uma qualidade controlada e um trabalho, que foi criado
até para ser finalizado no digital, por conta do
processo, do prazo que eu tinha, eu já crio pensando no
digital alguma coisa que eu possa trabalhar muito
rápido, muito simples e com o custo que eu tenho. Acho
que são opções.
PLATÉIA – É linguagem, ou é questão técnica ?
JULIO ANDERY – Eu costumo trabalhar linguagem por conta
das possibilidades que eu tenho para criar, para poder
extrair o máximo de cada material. Se tiver um puta
cromo preciso e maravilhoso e aquele trabalho precisa
disso, perfeito. Hoje, acabei de finalizar um material,
pôster, grande, em digital, porque o prazo e custo que
eu tinha era o que dava pra fazer, assim rápido, da
noite para o dia. Ficou bacana, porque ele foi criado e
pensado para ser finalizado desta forma. São opções, são
dois confortos que nós temos, é um conforto a mais. Acho
fantástico isso.
HILTON RIBEIRO – Você perceberia se não tivesse sido
feita em digital, se chegasse em um resultado próximo.
Estou falando de coisas que sejam bem feitas.
JULIO ANDERY – Depende da linguagem do trabalho, depende
do preto-e-branco que você vê. Pra mim fica muito mais
fácil identificar no preto-e-branco do que em um
trabalho regular. Não dá pra ver, dependendo do trabalho
você não consegue diferenciar as coisas. O digital tem
mais passagem, ele não contrasta tanto, ele não tem
aquela coisa boa do cromo, que você vê aquele contraste,
aquela coisa fantástica, que excita todos nós, ele é um
pouco mais suave, tem as passagens mais marcadas. É
bonito também.
PLATÉIA – Na opinião de vocês, vocês não percebem que o
digital, falando de reflex pequena, não back, não está
tendendo a ficar tudo sempre igual? O cara fotografa,
senta, dá o gás total no branco, no preto. Vocês
percebem isso, ou não acham isso? As coisas não estão
ficando muito parecidas quando é feito no suporte
digital? Não está tendo esta linguagem, uma normalidade,
menos artístico, ou com menos textura, muito limpinha,
branco no máximo?
HILTON RIBEIRO – Não é um problema do digital, é um
problema do cara que faz.
ANDREAS HEINIGER – Existe esta coisa de que as pessoas
se fascinaram com a tecnologia e tendem a usar os
botões, sabe? (risos) É como você pode ver no som, os
melhores amplificadores, os ingleses têm um botão.
PLATÉIA - O cara fotografa menos e fica muito mais tempo
sentado na frente do computador.
PLATÉIA – No cinema, o digital é completamente diferente
do analógico. A Panavision acabou de lançar uma câmera
que se chama Genesis, ela faz por frame 12 megapixels.
Eles fizeram uma demonstração desta câmera, e o diretor
de fotografia intercalou os planos com a Gênesis e a
Panavision normal. Fizeram uma projeção para os
diretores de fotografia americanos, para toda a
associação americana, e teve um erro de 90 por cento
para identificar o que era. Ela tinha uma cara
específica, você não vai conseguir achar as texturas com
o perfil da Genesis. Esta câmera vai estar aqui, semana
que vem, na palestra da ABC, que é uma associação de
fotógrafos de cinema, e vai ter esta mesma projeção. O
armazenamento é outra coisa. Hoje, eles conseguem um
chassi que armazena 21 minutos corridos. Eles
conseguiram simplificar esta câmera, com engenheiros por
trás, mas eles deram a liberdade, para o diretor de
fotografia, de ser a câmera mais leve na Panavision.
Conseguiram tirar todos os cabos e fica na mão, e é uma
técnica que vai ser adotada por determinados filmes.
Paralelo a isso, eu tive a oportunidade de participar de
três longas, e em dois deles eu fiz a parte de still
todo em digital. Você olha a sequência destes stills e
tem três caras diferentes, não porque era digital, ou
porque era filme, porque todo o trabalho de direção de
arte, de cor, de luz, de cada filme era diferente.
Então, você olha pra um e não questiona se era filme,
digital ou analógico, porque o conceito de cada trabalho
era muito forte, era muito determinado.
PLATÉIA – Só colocar uma coisa e aproveitar a Tereza que
está aqui, para ela falar como é a agência.
TEREZA SETTI – Só tenho uma observação para fazer a
respeito da expectativa do cliente para que o custo seja
menor por ser digital. A primeira preocupação é com o
prazo, e a segunda pelo custo ser realmente menor por eu
não poder pegar esta imagem e fazer com ela o que eu
quiser. Então, se você me dá uma imagem digital, que, se
o cliente mudar de idéia, dá para fazer uma coisa
gigantesca. Então, qual o nosso medo? A gente pagar esta
imagem o preço dela, e amanhã virar pro cliente e falar:
eu não posso fazer esta ampliação, vou ter que fazer de
novo esta foto. Então a diferença do custo, a nossa
expectativa, é por isso. O dia que você conseguir me
entregar uma foto digital que eu possa fazer e ampliar
da maneira como eu faço com o cromo, não existe mais
esta diferença.
ANDREAS HEINIGER – Eu acho que a gente vive um pouco
tenso, porque em nenhum momento da minha carreira, que
eu me lembre, os clientes pediam tantas infinidades de
utilizações como hoje. O problema é que, na maioria dos
casos, o cliente, junto com as agências, não faz a vaga
idéia de como isso ainda vai ser usado. Eles contratam
para fazer um anúncio de página simples, ou página
dupla, é bem provável que nunca vai sair esta página
dupla, mas vai sair um prédio inteiro empacotado, um
mobiliário urbano, e assim vai, um banner de 15 metros
na Faria Lima, como tem toda semana um novo. O anúncio
não sai, porque, de repente, alguém fala: não, eu pensei
bem e isso aqui não é para veicular em revista que
atinge um milhão de pessoas, vamos botar isso nas ruas.
Então, nós vivemos este drama o tempo todo, vamos fazer
um outdoor duplo de 16 metros de largura, e a foto como
foi feita. Todo este problema não existia na foto
análoga. Ninguém chegava e dizia: não dá para fazer um
banner de 16 metros. Claro que dá pra fazer, pega um
cromo seis por seis. Porque a distância que você olha
também muda, né ?
THOMAS SUSEMIHL – Só um detalhe, a câmera digital, um
back digital, você consegue fazer praticamente, segundo
o pessoal da Digital, você faz tudo. A única coisa que
você não consegue fazer, com back digital, seria um
pôster a 300 dpi acima de 80 centímetros, um metro, mas
aí você tem os truques que a gente estava falando antes.
LUIS CRISPINO – Mas eu insisto, porque o digital dá uma
cópia 30 por 40.
PLATÉIA – Digitalmente você pode ampliar depois.
THOMAS SUSEMIHL – Eu esqueci um detalhe, aquela hora que
eu falei aquele negócio do teste que eu fiz com o cromo,
eu peguei o cromo e escaneei a 300 megas, fiz um arquivo
de 300 megas. Se ampliar, chega uma hora que você só
pega ruído, não enxerga nada, só ruído. Então, não é que
você está buscando informação, não tem informação. Então
é possível, esta questão que você levantou, que você
fica limitado, eu acho que você não está tão limitado.
TEREZA SETTI – Eu falei o porquê, de repente, a agência
acha que tem que ser mais barato, a gente não pensa que
é o filme e a revelação. A gente pensa que, depois que
eu tenho esta imagem, a minha cliente muda de idéia, e
eu tenho que, talvez, fotografar em filme para poder
fazer a ampliação. É que as câmeras que a gente tem no
mercado dos fotógrafos não têm tanta qualidade, talvez,
que a gente necessite para poder fazer isso. Tem 11
megas, é um investimento de 60 mil dólares, e não tem a
possibilidade no momento.
PLATÉIA – Eu acho que falta um pouco de clareza, pelo
menos eu vejo isso. Por exemplo o Luis disse que faz uma
cópia 30 por 40, vamos até diminuir um pouco, vamos pôr
24 por 30, depois digitaliza esta cópia, e depois
interpola, faz um monte de coisa, faz um negócio grande
com um resultado igual ao do filme. Esta discussão de
quantos megas, parece que não faz tanto sentido. A
partir de um número, você faz uma cópia 30 por 40, e
depois você faz qualquer coisa. Então o Thomas disse que
não faz a 300 ppi, a impressão fotográfica a 300 ppi,
mas nem o fotográfico faz isso, vai abrir um grão aqui,
ali.
TEREZA SETTI – Mas, querendo ou não, a discussão é que
as agências querem ter a imagem pronta do que em papel.
É uma discussão mais antiga ainda, porque veja, a gente
pode passar o cromo e papel, na mesma situação, para o
digital.
THOMAS SUSEMIHL – E você pode passar o arquivo digital
para cromo 4 por 5.
ANDREAS HEINIGER – Mas não fica bom. Se fosse assim
ninguém mais faria foto análoga.
HILTON RIBEIRO – Mas é uma outra história. Isso daí não
tem margem, fazer 1 por 50, é impossível.
ANDREAS HEINIGER – É querer insistir em um assunto. O
que me incomoda nesta discussão, não gosto, mas o
mercado tem que tratar a digital como advento novo, que
tem uma característica própria, que tem maneiras de
fotografar excepcionais, é um advento a mais, não é que
você tem que excluir a anterior. Só que hoje é tratado
isto no mercado assim. Se você pode se dar ao luxo de
gastar mais para fazer este trabalho em digital. Mas
esta é a mesma discussão que a agente teve nos anos 80,
fazendo em 35, puxando o branco e preto um ponto e
achando lindo. Não tem ninguém aqui que não ache as
fotos do Sebastião Salgado maravilhosas, todas com o
grão estourado, porque é linguagem. Mas hoje nós não
somos o Sebastião Salgado, que faz livro, fazemos
trabalho no mercado. Poucos fotógrafos de publicidade
conseguiram, nos últimos 20 anos, fazer um trabalho e
vender linguagem granulada, muitos diretores de arte
fizeram questão de ter isto. Estou me lembrando da
campanha do Itaú, que era absolutamente o grão
estourado. É uma questão de escolher esta linguagem. A
gente vive hoje um momento, em que muita gente, na
verdade, faz o pedido mal feito. O serviço saiu melhor
que o pedido. (risos) É verdade. Eles falam: eu preciso
de uma foto. Mas não sabem exatamente o que vai ser
feito com isso, porque o cliente não definiu, porque
sempre este cliente está viajando (risos) Mas é verdade.
O diretor de criação, que tem o poder de convencer o
cliente não está, porque obviamente ele já virou muito
mais um business man do que um diretor de criação,
porque ele tem que ir lá no cliente para convencê-lo a
aprovar a campanha. Tudo foi passado ao mercado. Tanto
que, antigamente nas agências, existia um diretor de
criação, e hoje tem de 6 pra frente.
PLATÉIA – Uma coisa que me incomoda um pouco nesta
discussão é muita técnica. Eu acho que tem que levar um
pouco para o lado filosófico. Há 25 anos que eu estou no
Brasil, há 25 anos que eu conheço vocês, a gente se
reunia, e nunca dentro de uma reunião a gente discutiu:
vamos trabalhar com EPP, com EPR, com 4 por 5, entendeu?
Tem uma coisa que me incomoda na posição do Thomas, que
disse: tem certos clientes que exigem o filme e não
aceitam o digital. Eu acho que o nosso papel de
fotógrafo é de impor o seu estilo, o seu modo de
fotografar. Por isso, talvez, que eu trabalho cada vez
menos. (risos) Nunca um diretor de arte, um art buyer
perguntou: que filme você vai trabalhar? O fotógrafo
pode escolher, porque ele já mostrou que sabe fazer.
Ninguém vai perguntar: você usa tal papel na ampliação?
Tal filme? Aqui não. Aqui a primeira pergunta é: que
tipo de máquina você tem, quantos pixels? Você trabalha
com digital ou com filme tradicional? Eu acho que agente
não tem que responder estas coisas. Nós temos uma
obrigação de fim, a finalidade de entregar um trabalho
para o diretor de arte. A art buyer comprou e não tem
que dar explicação de como fazer, nós temos a obrigação
de fazer.
PLATÉIA – Eu quero fazer um aparte nesta observação. Eu
acho que o produtor gráfico agrega muito no trabalho do
fotógrafo, porque nem sempre a melhor foto que a gente
acha é a melhor foto para sair impressa. Eu acho que tem
que ter esta conversa, como você vai fazer? É uma
discussão para chegar no melhor resultado, porque nem
sempre o que a gente acha que é melhor como imagem, é o
melhor para ser impresso naquele material. Tem que ter
uma conversa, não é uma imposição, é só o objetivo de
ter um trabalho mais bem resolvido do que sai na
revista.
PLATÉIA – O que não existe no Brasil são as reuniões de
pré-produção.
PLATÉIA – Que o diretor gráfico estaria sempre presente.
PLATÉIA – O diretor gráfico e até o cliente, porque,
como falou o Andreas, a surpresa vem sempre depois: nós
vamos ampliar, nós vamos usar pra isso, pra isso. Eu
acho o seguinte: se o cliente não previu o uso, ele tem
que fazer uma outra foto.
ANDREAS HEINIGER – Eu concordo com você. O que me
incomoda nesta discussão, é justamente este aspecto
técnico, porque isto é uma discussão para engenheiros.
Até porque, quando você fala: vou fazer 35 milímetros. O
diretor de arte, competente pra isso, diz: olha, eu
preciso de um formato grande, porque depois eu vou
ampliar assim. Então, todo mundo sabe a possibilidade
que este cromo fornece. Todo mundo sabe que uma chapa 4
por 5 tem uma qualidade assim, todo mundo sabe que um
cromo 35 tem uma qualidade assim. No digital, hoje,
exatamente é este o problema, porque 16 megapixels,
ninguém sabe.
PLATÉIA – O Klaus falou: eu adoro fotografar com
celular. Se você analisar a questão técnica, você diz:
isso não é uma foto, é alguém que jogou um pouco de
tinta em um papel. Mas é uma linguagem.
KLAUS MITTELDORF – O problema é que o mercado não está
muito atrás de linguagem.
PLATÉIA – Nos dias de hoje, não existe uma foto com
rigor acadêmico, com foco perfeito, não existe.
KLAUS MITTELDORF – O nosso mercado atual não procura
muito linguagem, procura, realmente, uma coisa mais
padronizada. Existe um padrão no momento, que é seguido
assim. Não se está procurando linguagem.
PLATÉIA – O fotógrafo está vendendo a sua alma.
PLATÉIA – Antigamente, Klaus, o seu trabalho tinha uma
identidade muito forte. Hoje em dia acontece muito menos
pra você isso?
KLAUS MITTELDORF – Exatamente o que está acontecendo é o
seguinte: existe padrões que o mercado adota, entendeu?
Dentro do padrão, que o mercado adota, atualmente,
muitas agências procuram a qualidade acima de qualquer
coisa, nos anúncios a qualidade é a primeira coisa. E o
padrão qualidade está acima do padrão linguagem, este é
o problema. Há 10 anos atrás, 15, a linguagem era
importante. O fotógrafo tinha uma identidade, que era
contratado pela publicidade e neste exato momento, que a
gente está vivendo, a identidade não existe, não
interessa o mínimo. Provavelmente vai voltar, vai voltar
de outra maneira. Esta discussão, que a gente está tendo
sobre o digital e o analógico está sendo levado para o
lado técnico justamente por causa desse padrão que
existe. Dentro deste padrão, o que seria melhor? Só
isso, porque se for falar de linguagens, cada um tem a
liberdade de usar a linguagem que quiser, se ele
alcançar um padrão de qualidade do seu trabalho,
provavelmente ele vai ser contratado por este padrão,
independente de quantos megapixels, de filme que está
usando, interessa o resultado final.
PLATÉIA – As máquinas de boa qualidade, tem algumas, o
resultado depois, quando você olha, é tudo igual, se
você não faz uma análise científica da fotografia, é
tudo igual. Por que é tudo igual? Eu acho que o
resultado de qualquer foto digital é ruim, não tem uma
imagem perfeita. Ruim, quer dizer, você não pode
entregar um arquivo bruto. Você tem que ter uma
intervenção de um sistema computadorizado, que seja
depois, que seja antes, quando você acerta suas curvas
antes de fazer a foto. Tem que ter uma intervenção, não
existe um arquivo bruto de qualidade. O que eu tenho
para dizer é o seguinte, que o Andreas falou também,
cada captura tem a sua finalidade. Se você vai fazer uma
foto para um banner de 30 metros, você não precisa ter a
mesma resolução do que para uma tiragem para uma
campanha.
KLAUS MITTELDORF – Mas, de repente, a má qualidade pode
ser uma coisa bonita. Eu acho que o mercado, no momento,
não procura linguagem, só uma foto de boa qualidade,
dentro de um padrão “x”.
ANDREAS HEINIGER – Eu diria mais, que hoje a fotografia
é comprada como comodities. Precisamos de uma
fotografia, alguém vai ter que fornecer o melhor preço,
melhor prazo, melhores condições e, obviamente,
especificações de qualidade. O melhor exemplo é um dos
fotógrafos que mais ganhou dinheiro na vida com menos
resolução foi o David Hamilton. Foi fenomenal. Tudo era
lixado, as lentes, eram nuvens, e o cara ficou famoso
mundialmente, inclusive aqui gostariam de ter tido fotos
de David Hamilton em anúncios. E não se discutia
resolução. Ele passava Bom Bril nas lentes, vaselina e
tudo o que ele pode imaginar.
PLATÉIA – Era um fotógrafo sério, ele trabalhava para a
publicidade.
KLAUS MITTELDORF – É um estilo, na época o estilo era
tudo. Você contrata um fotógrafo porque tem um estilo
assim e outro tem o estilo assado.
MANOLO MORAN – Isso é aqui no Brasil, ou no mundo
inteiro?
ANDREAS HEINIGER – No Brasil, o sujeito chega pra você e
fala: eu queria que você fizesse uma foto gênero David
Bailey. Ninguém quer o estilo da pessoa. Eles precisam
de uma referência.
KLAUS MITTELDORF – É um fenômeno bem brasileiro, em
outros países isso não vale. Fotos bem granuladas em
outros lugares na publicidade.
ANDREAS HEINIGER – Aqui a gente vive muito este drama.
MANOLO MORAN – A gente está copiando quem?
KLAUS MITTELDORF – Gostaria de saber também. Isso é a
modernidade. Alguém escolhe, edita e faz, entendeu?
Idealismo. Eu acho que a gente está na fase do varejo,
do realismo. O mundo, neste momento, está muito
realista, não se brinca com a fantasia, só com a
realidade. Dentro do fator realidade, quanto mais
nítido, mas claro for tudo, melhor. Esta é a psicologia
da coisa. Por isso que se procura esta perfeição da
imagem, que a agência e a marca procuram muito, porque
tem a ver com a realidade do mundo de hoje aqui.
THOMAS SUSEMIHL – Na verdade, deveria ser só uma
linguagem como todas as outras, né?
KLAUS MITTELDORF – Deveria e é uma linguagem, mas muita
gente está usando esta linguagem. Tem muito a ver com a
parte social, político, esta fase de varejo é muito
importante. A fantasia ficou um pouco de lado, e quando
você não usa a fantasia, linguagens são excluídas.
PLATÉIA – Você quer trabalhar com um cliente na
Inglaterra você tem que chamá-lo com dois meses de
antecedência, para que ele fotografe em qualquer lugar
que seja o lay out. O dinheiro que ele cobra pra isso
não é muito mais do que um grande fotógrafo aqui. O que
a gente faz para conquistar isso? Sai brigando com todo
mundo?
THOMAS SUSEMIHL – Eu acho que nós abrimos uma brecha,
que dificilmente vamos conseguir recuperar.
PLATÉIA – Ou o mercado não dá mais? A gente desiste?
KLAUS MITTELDORF – O mercado se recicla, ele muda, tudo
muda. Há dez anos atrás todo mundo fotografava com
preto-e-branco. Acabou.
ALEXANDRE CATAN – Pergunta para o Thomas: o digital
mudou seu jeito de iluminar, você teve que se adaptar,
reciclar? A luz, que antes era menos contrastada, teve
que ser mais contrastada quando você capta esta imagem
no digital? Muda um pouco? Você teve que se readaptar
com a linguagem?
THOMAS SUSEMIHL – Com certeza muda, o que mais mudou, e
é terrível, é que você já vê a imagem direto no monitor
e tem o diretor de arte do lado como um carrapato.
(risos) Acabou o mistério, você trabalhava, fazia a
coisa sozinho. Ficou uma coisa meio aberta.
KLAUS MITTELDORF – Mas você dá esta abertura, né?
THOMAS SUSEMIHL – Médio.
(risos)
KLAUS MITTELDORF – Isso é de cada um.
LUIS CRISPINO – Você está fazendo a foto três horas da
manhã e o cara fala: me passa por e-mail, que eu quero
dar uma olhada. Aí você faz a foto e passa. Aí: muda
aqui, aqui, aqui...
ALEXANDRE CATAN – Eu quero saber assim: você usava um
Fresnel e, de repente, ele tinha uma sombra “x” e, hoje
em dia, tem que dar uma...
THOMAS SUSEMIHL – O digital reage diferente. Meu filho
começou a se interessar por fotografia e falou: pô pai,
quando você vai produzir um negativo, você não pode
fazer o pós-contraste, já tem que pensar como vai
revelar. É exatamente isso, você já faz os ajustes, faz
as curvas pensando onde quer chegar. Agora, a reação do
digital é um pouco diferente sim. Tem todo um sistema
que tem que calibrar, o monitor, tem uma maquininha para
dar uma saída de prova para ver onde você está pisando.
Tem um processo de adaptação? Com certeza tem.
PLATÉIA – É como fotografar em cromo e negativo, você
não faz a luz igual para o cromo e o negativo. Esta não
é a questão. A questão do digital é que você tem uma
liberdade de expressão muito maior a partir do momento
em que você pode escolher em qual latitude trabalhar.
Uma coisa é ir para uma externa e ter só VS na sua mala,
você só vai trazer a característica que aquele filme te
dá. Outra coisa é ter a liberdade de expressão. Para uma
cena contrastada, usa uma latitude maior, uma cena menos
contrastada... é uma questão de expressão, eu acho. Você
tem na mão a liberdade de escolha. Em vez de levar 20
rolos de VS e ir para o deserto do Atacama com uma
latitude determinada, você tem a opção de escolher uma
determinada sensibilidade. O digital te dá tanto a
latitude do negativo quanto a latitude do cromo. Isso,
que pra mim, é mais maluco.
ALEXANDRE CATAN – Pode ser mais fácil.
PLATÉIA – O mais importante é que você na está refém da
técnica, você pode adequar, entendeu? Tem uma cena
contrastada, menos contrastada, você consegue deixar a
expressão. É lógico que toda expressão por trás tem uma
busca técnica. Cada um, com o digital, vai desenvolver a
sua linguagem. O que a gente tem, que eu enxergo como
benefício, é esta latitude controlada. Não um pré-set,
mas da mesma forma que a gente aprendeu a interpretar um
fotômetro, uma emulsão para criar uma expressão.
KLAUS MITTELDORF - Mas, os resultados que você vai obter
assim são diferentes do que se você usasse um negativo
ou um cromo.
PLATÉIA – O cara criou uma linguagem e foi buscar na
tecnologia o que adequava. Este último filme mexicano,
agora eu esqueci o nome, ele criou um desenho estético e
foi buscar esta teoria. Não importava se era EPP, EPR,
ele buscou uma expressão, e adequou à ferramenta.
PLATÉIA – É por isso que na situação do cromo você
poderia escolher o EPR, o EPP, e depois escolhia a sua
linguagem. Só que no digital você pode escolher. O cromo
leva a desvantagem de ficar preso nas características
dele.
ANDREAS HEINIGER – Nada impede de levar na mala cinco
filmes diferentes.
(risos)
PLATÉIA – Acho que tem uma diferença, no filme você
precisa de um escaner, que é a tecnologia digital. As
câmeras digitais ainda não têm a qualidade que vão ter
no futuro, isto é claro, que vão ter uma qualidade que a
gente nem pode prever. O scaner, que capta o filme, é um
dos processos de revelação, de preparação do filme pela
fábrica, ele é a câmera digital, quer dizer, o caminho
foi encurtado. Isso não foi colocado ainda no debate, e
é um ponto chave você voltar e regular mais um dos
processos, ter um ISO maior.
ANDREAS HEINIGER – Mas eu acho que, justamente hoje,
neste momento, a gente não pode falar de melhor e pior,
a gente tem que tentar o melhor dos dois mundos. Eu acho
que hoje o melhor dos dois mundos é: análogo para a
captura e escaner no melhor escaner. Agora, se vai a um
Birô escanear por 300 reais, obviamente vai ficar um
desastre. Se vai a um escaner de tambor e paga o que
custa, vai ter um resultado superior, hoje. É fato. E
também é preciso falar de que tipo o trabalho é. Se
forem tablóides e catálogos, em que se sabe que nada vai
sair mais do que cinco centímetros, é uma questão de
custo e de rapidez. E para este tipo de trabalho, sem
dúvida digital é melhor, até porque já vê na hora como
fica.
LUIS CRISPINO – O fotojornalismo já incorporou o digital
há décadas.
ANDREAS HEINIGER – Claro. Há 10 anos atrás ele carregava
uma mala, como se chamava? Agora e fotografa, já está
aqui.
PLATÉIA – Revelava no banheiro, antigamente, né?
ANDREAS HEINIGER – Para o fotojornalismo, sem dúvida.
Acho que também está interessado em uma coisa que é a
imagem final. A discussão no mercado, hoje, é só a
técnica.
ALEXANDREA CATAN – Nada mais, como o Klaus comentou, da
linguagem, né?
PLATÉIA – Muitas vezes a linguagem se consegue com os
efeitos do computador. Garante uma imagem limpa, e
depois mexe no computador. É um caminho real.
KLAUS MITTELDORF – A publicidade depende da mídia
impressa, que nunca traduz exatamente aquilo que a gente
gostaria.
PLATÉIA – Posso falar? Na verdade, você procura um
fotógrafo, às vezes não pelo que ele é capaz de
acrescentar em um trabalho, mas se ele se encaixa na
questão técnica.
KLAUS MITTELDORF – Uma agência, ao escolher um
fotógrafo, independente da pressa, ou não, do trabalho,
a melhor pergunta deveria ser: qual a especialidade
dele? E isso é que eu acho que ficou um pouquinho pra
trás no nosso mercado, infelizmente. Eu vejo que a gente
concorre com fotógrafos que fazem coisas completamente
opostas. Ninguém entende muito bem o que acontece neste
mercado. Não sei qual o critério que as agências estão
adotando, provavelmente é pelo motivo que eu falei, que
existe um padrão, hoje em dia, que é seguido, de
realismo, de pensar muito no produto final, a questão do
varejo. Não se procura os fotógrafos pela capacidade
dele. Eu acho isso um erro, uma coisa que tem que ser
concertada com o tempo, porque todos iriam ganhar com
isso, não só fotógrafos, mas principalmente as agências
também.
PLATÉIA – Esta cultura eu sinto que, a partir do
digital, mudou o negócio da fotografia. A parte
plástica, estética da imagem, para a maioria dos leigos,
não tem muita diferença entre uma imagem em cromo e
digital, né? Agora, quem já viu um cromo sabe que não
tem melhor. O negócio da fotografia mudou por causa da
digital. Entrou muita gente nova no mercado e as
agências perderam o critério, como você disse. Não há
mais especialidade, não é: esta foto é a cara do fulano.
KLAUS MITTELDORF – A especialidade está virando digital
ou análogo.
PLATÉIA – Em negócio, acho que a maioria aqui está na
fotografia, o que deveríamos abordar é: a mudança do
negócio da fotografia a partir do digital, porque mudou.
Quem está há mais de dez anos no mercado sabe que não é
mais o mesmo.
PLATÉIA – Não foi por causa do digital.
PLATÉIA – Mas o digital incluiu um monte de gente.
PLATÉIA – Posso voltar? Eu queria perguntar para o
Crispino e Thomas: é hora de investir, ou não é hora de
investir, é mais prático ou não é mais prático? Esta
coisa dos pedidos mal feitos de uma foto não ter uma
medida determinada? É usual pedirem pra mim uma foto com
um pouco mais de área, para fazer simples, dupla, quem
sabe um out door, um banner, um ponto de ônibus, enfim,
vira o cacete a quatro. Agora saiu a Mark II, da Canon,
custa 8 mil dólares, sei lá, 10 mil dólares de
investimento para um equipamento de câmera, que te dá um
resultado com uma qualidade como um cromo 6 por 7, para
ter um material mais básico. Você fotografa o fundo
separado, a modelo separado, o produto separado, que é
separado, separado, separado, já orça com o Birô junto
para depois juntar e chegar em um resultado final, que
vai se adaptar para este monte de coisa. É mais prático.
O Andreas falou que já não representa tanta grana dentro
do nosso orçamento, mas entra dentro do percentual. Oito
mil dólares é um investimento alto, mas não é tão alto.
Vale a pena? É mais prático? Qual é a hora de entrar? Ou
vai ser isso? Eu vou comprar e daqui a dois anos não
serve pra mais nada, eu não vou conseguir estar
fotografando com isso?
PLATÉIA – Eu acho que a gente deveria fazer greve até
que se resolva.
(risos)
LUIS CRISPINO – Eu acho que todo negócio tem um risco,
você tem que arriscar uma coisa ou outra. O que
acontece? Com o digital você vai pegar um trabalho que
não pegaria se fosse com cromo, porque tem que estar
pronto para amanhã cedo, então não vai dar tempo de
fazer com cromo.
HILTON RIBEIRO – Mas ela fica pronta? Eu para
descarregar vou levar três horas, tem que ter o cara
para operar...
THOMAS SUSEMIHL – Não é mais prático. A qualidade da
vida piorou muito. Você tem que começar a otimizar, a
agilizar. No começo acho que você apanha muito. Agora, a
qualidade de vida, as horas que você fica no pós
realmente são...
HILTON RIBEIRO – Você não acha que o fotógrafo trabalha
menos e o assistente trabalha mais?
THOMAS SUSEMIHL – Acho.
PLATÉIA – Por isso que o assistente ganha menos.
(risos)
THOMAS SUSEMIHL – Se nós vamos discutir a questão
técnica, tantos megapixels, isso ou aquilo, ou vamos
discutir linguagem. Se hoje você tem um meio definitivo
para trabalhar, é importante você estar lidando com isso
para se familiarizar, porque, queira ou não, é o futuro.
Vão continuar as duas linguagens, mas o digital vai cada
vez evoluir mais e vai chegar uma hora em que é
indiscutível isso. Tem “n” problemas. Tem que avaliar
onde você quer chegar na qualidade, quais são as
exigências do seu cliente para atendê-los, e se este
equipamento, a Mark II, vai atender a você e aos seu
clientes. Se você virar um Birô, como você falou, se
tiver que contratar manipulador, máquina, isso e aquilo,
quer dizer, você vai inflar a sua estrutura, a sua
empresa vai virar um Birô, não sei se é negócio. Melhor
continuar terceirizando, mas a familiarização e você não
se alienar, não se entocar, é um bom caminho. Aí, a
avaliação se é um 35, um back, ou o que vai atender a
sua necessidade, é questão de você analisar com mais
carinho. Eu acho que é a hora sempre, agora, com certeza
você vai perder dinheiro.
(risos)
PLATÉIA – Trabalha mais e perde dinheiro.
(risos)
THOMAS SUSEHMIL – Outra coisa, se você deve ou não
entrar no digital pesado? Está ligado não ao volume, mas
ao tipo de trabalho. Justifica este investimento? Faz
esta conta no papel.
KLAUS MITTELDORF – Cada um faz um tipo de trabalho. Tem
que avaliar direitinho. O meu tipo de trabalho é
adequado? É diferente você usar para fazer foto para o
Extra...
THOMAS SUSEHMIL – Eu faço trabalho para o Extra...
KLAUS MITTELDORF - ... ou anúncio de página dupla com
definição “x”.
THOMAS SUSEHMIL – Eu faço traballho bacana, Coca-Cola,
TIM...
(risos) E faço com digital também. Tenho conseguido
resultados satisfatórios.
KLAUS MITTELDORF – Para fazer um catálogo? Exige um tipo
de...
THOMAS SUSEHMIL – Mas cai naquele assunto que o Andreas
falou: não faz sentido ter um back digital e gravar
fotos de quatro, cinco centímetros. A câmera pode ser
até uma Coolpix. Eu acho que faz sentido um back para
você vender página dupla, pôster, banner, o que for. Tem
que pensar grande, tem que mergulhar, mas você tem que
trabalhar. Se vai ter retorno deste investimento? Eu fiz
uma época uma conta que a primeira D1X que comprei eu
paguei em dois, três meses. O primeiro back Sinar que eu
comprei, em um ano consegui amortizar.
PLATÉIA – Sobre o back digital, a primeira coisa que
você fala é: qual o tamanho vai sair isso? 300 ppi, dois
metros por cinco. Qual o caminho? Fazer com filme? Fazer
digital, dar uma saída e te entregar um cromo?
HILTON RIBEIRO – Mas é um desastre isso, fica uma merda
isso, você dar uma saída, não pode, tem uma adequação de
coisa aí. Teresa, qual a porcentagem de trabalho de
vocês que não tem interferência de computador?
TEREZA SETTI – Nenhum.
HILTON RIBEIRO – Acho que é importante a gente falar.
PLATÉIA – Tem muitas fotos internacionais, que o cara
pega, mesmo antes do digital, fotografava e fazia todas
as correções na saída. Como você falou, fica uma merda.
HILTON RIBEIRO – Na beleza, agora, as mulheres com uma
pele, que eu acho um absurdo. Ficou tudo lisinho.
TEREZA SETTI – Isso é o cliente.
HILTON RIBEIRO – Eu sei.
PLATÉIA – Como em capa de revista, é tudo plastificado.
HILTON RIBEIRO – Tanto faz fotografar em cromo, ou
digital, quando não faz o cara escaneia. O que faz esta
estética, esta coisa louca. Vai lá, vai Photoshop.
PLATÉIA - Eu acho que a grande mudança, nesta coisa
toda, foi a computação gráfica. Quando entrou a
computação e começou a manipular imagem ficou aquela
coisa, fotografa o fundo, fotografa a roda, fotografa a
porta, a pessoa e junta tudo.
HILTON RIBEIRO – A captura já não faz a diferença.
TEREZA SETTI – Já mudou um pouco, não é mais este
excesso. Teve um retrocesso neste exagero.
HILTON RIBEIRO – Teve, mas invariavelmente você manipula
a imagem. Desapareceu aquela coisa de pegar uma foto que
não tivesse retoque. Há 15 anos não se fala mais nisso.
PLATÉIA – Tem o 3D. As agências estão trabalhando em
cima disso. De repente vai ficar todo mundo sem emprego
também. Outro dia eu vi um carro feito em 3D, que é
impressionante.
PLATÉIA – Eu queria voltar à questão filosófica. A
Teresa falou que o diretor de arte precisa de uma imagem
limpa. Então, a pergunta que eu vou fazer para todos nós
fotógrafos é: se o que precisa é uma imagem limpa para
trabalhar depois, que diferença faz se é o Andreas que
fotografa, o Klaus, ou o Zezinho da esquina?
KLAUS MITTELDORF – Toda.
PLATÉIA – Está surgindo no mercado uma categoria de
fotógrafo que se chama “operador de câmera digital”?
Tira a foto limpa, bem exposta...
TEREZA SETTI – O talento sempre existe, gente, em
qualquer situação.
ANDREAS HEINIGER – Acho que até pouco tempo atrás, nunca
ninguém perguntou qual o equipamento que se usa, isso
não existia. Não existia esta discussão.
PLATÉIA – Mas, a tecnologia não vai matar a arte nunca.
PLATÉIA – Mas, no momento, estamos em um modismo sem
linguagem. Então, nesta fase atual, está meio que matada
a arte. Está um vazio.
KLAUS MITTELDORF – Existe um vazio da criatividade
fotográfica dentro da publicidade. Eu acho que, também,
os diretores de arte, tomando o poder das ferramentas do
Photoshop da manipulação, como a Teresa falou, houve um
exagero no começo. Eu acho que as agências estão
“roubando”, um pouquinho, a nossa linguagem para eles.
Eles estão determinando a linguagem que vai ser usada no
mercado.
ANDREAS HEINIGER – Isso é uma questão cultural do país
que a gente vive. Se as capas das revistas são todas com
mulheres que parece uma pele de conservada, laqueada, e
todos os anúncios são assim, isso é apenas uma extensão
de que somos um país que mais faz cirurgia plástica.
PLATÉIA – É o único país no mundo que faz um concurso,
em que o prêmio é uma operação cirúrgica. (risos) Tem
uma revista que oferece, todo mês, uma operação.
KLAUS MITTELDORF – Quando você trabalha na Europa, em
qualquer país, você tem o seu trabalho, você trabalha
naturalmente. As pessoas te chamam pelo seu trabalho,
porque são mercados mais diversificados. São mercados
maiores, mais clientes, mais agências, volumes maiores
de trabalho. Aqui, a gente fica em uma cidade como São
Paulo, onde todo mundo se conhece, no mercado,
basicamente, e não tem esta abertura para estes
trabalhos. Se tiver, você não vai trabalhar.
ANDREAS HEINIGER – Uma coisa muito importante é o
seguinte: hoje, a propaganda que se faz no Brasil é uma
propaganda de produção. Hoje, apesar de tudo, quem tem a
capacidade de montar o circo, em quatro horas para fazer
o trabalho, é o cara que é bom. Os prazos são tão
absurdos. Lá fora demoram três semanas para escolher um
cara, depois vê se tem agenda, se não tem, vai encaixar.
O trabalho dura seis meses até ser entregue. Aqui, hoje,
um trabalho tem que ser feito em 72 horas, sendo
generoso, em uma semana.
MANOLO MORAN – Será que não são os criativos que agora
só pensam em grana?
ANDREAS HEINIGER – Não, mas isso é uma questão de
remuneração de agência. O dia que mudar a remuneração de
agência no Brasil este problema está resolvido.
KLAUS MITTELDORF – O timing é completamente diferente de
um país europeu. Não dá para comparar. Não tem
explicação. A gente que está de fora das agências não
sabe quais são os motivos.
THOMAS SUSEMIHL – O que acontece, Teresa, na hora que
uma agência convence o cliente a entrar com uma
campanha? A sensação que eu tenho é que exatamente a
mídia sempre vem com uma avalanche absurda. A sensação é
que: nós vamos veicular porque nós vamos faturar. Rola
isso?
TEREZA SETTI – A verdade é que eles compram a mídia e,
às vezes nem tem campanha. O cliente compra direto, e
chega lá querendo criar para amanhã e entregar depois de
amanhã. O art buyer não tem alternativa, tem que
procurar alguém que vai cumprir o prazo para aquela
mídia. A gente tem que fazer de um tudo. O que eu falo
para o cliente? Que não posso entregar, porque não tem
ninguém que faça? Não. Você tem que correr atrás de quem
entregue.
THOMAS SUSEMIHL – Parece que não existe não para a
agência, para o cliente, para nada mais. Não existe mais
limite para as coisas. Aí entra a digital pressionando,
nos matando cada vez mais, porque antes a gente tinha o
luxo de dizer que revelava, ampliava, não sei o quê,
agora nem isso.
NINA LINDMAN – Na França, ou se usa a analógica ou se
usa a digital. Os fotógrafos, a maioria, não precisaram
investir no equipamento, você aluga. Não tem um
investimento pessoal do fotógrafo como aqui. Os estúdios
estão com medo. Isso mais isso. Vai ter o retorno? Não
vai ter? Qual o lado bom? É o momento?
PLATÉIA – Você está falando dos fotógrafos da França, eu
conheço bem a França, eu sou francês e na França é um
estresse. Porque os fotógrafos que têm a permissão das
agências e dos clientes de alugar, de trazer operador, e
tudo, são muito poucos. A maioria dos fotógrafos é como
no Brasil. Coitado de quem não aceitar, não trabalha.
Acho que a tendência hoje é falar de fotógrafo ao todo,
mas os fotógrafos, no Brasil, que fazem grandes
campanhas, que ganham muito, como a gente ganhava há 10
anos atrás, são muito poucos. Noventa e cinco por cento
da fotografia no Brasil está em situação de
sobrevivência. Na França, são muito poucos os que têm
este privilégio.
NINA LINDMAN – Mas, na França, o mercado é muito maior e
o aluguel destes equipamentos é muito mais barato, muito
mais viável do que investir e comprar. Fora a
publicidade de still mesmo, que aí a maioria tem um
estúdio e compraram, o resto dos fotógrafos já está
aceito, embutido no orçamento o estúdio e, se querem
digital, está totalmente normal e acertado o aluguel.
PLATÉIA – Mas, você concorda que para acontecer tudo
isso, tem que ter prazo de produção.
NINA LINDMAN – Que tem lá. Nós não temos.
PLATÉIA – E não vai ter nunca. É cultural. Foi sempre
assim. Piorou com o digital, é verdade. Não estou
lembrando uma época em que a gente tinha uma semana, um
mês, para fazer. Sempre foi para o dia seguinte.
ALEXANDREA CATAN – Bom gente, esta é uma discussão para
vários dias. A intenção era começar a conversar sobre
este tema mesmo. E eu queria que vocês concluíssem, dar
um pouquinho da palavra para a gente finalizar este
papo. Eu acho que este papo é super importante, porque é
difícil a gente conseguir juntar fotógrafos, pessoas,
hoje em dia, não é só fotógrafos, até família é difícil
juntar hoje em dia, né? Então, a gente está tentando,
através da Abrafoto, ou tanto faz, através do que for, a
gente se encontrar, bater um papo com pessoas
inteligentes e bacanas para poder trocar informação. Tem
gente de agência, gente da fotografia. E acho que isso
vai gerar outras coisas também. A gente tem que se
informar mais, trocar mais informação. Todo mundo vive
muito no individual, hoje em dia. O fotógrafo já é uma
pessoa muito individualista e cada vez mais a gente tem
que dar a oportunidade de conhecer, eu acabei conhecendo
o Thomas hoje aqui, ouço muito falar dele, o próprio
Andreas, a gente juntar as pessoas. Bem, de poder
encontrar, conhecer a cara, conhecer as pessoas e este
encontro acho que também ajuda neste sentido. Com
certeza outros encontros vão rolar. A gente vai sempre
tentar promover isso, através da Associação agora,
independente das milhões de falhas da Associação. Eu
queria que vocês concluíssem, se pudesse falar um
pouquinho cada um.
NINA LINDMAN – Posso fazer uma última pergunta?
ALEXANDREA CATAN – Não. (risos) Pra você tudo bem, Nina.
NINA LINDMAN – Temos cinco fotógrafos. Eu queria saber a
vantagem. Qual o lado bom? Às vezes fala: não, é ruim.
Mas tem o lado bom. Se você tivesse que resumir em uma
frase Klaus Miteldorf.
PLATÉIA – Huuumm...
(risos)
KLAUS MITTELDORF – O lado bom é a diversificação dos
processos que a gente tem à disposição. Se a gente pegar
pelo lado que eu estava falando no começo, quer dizer, é
mais uma técnica, tem suas técnicas embutidas. A gente
só está ganhando. A gente tem um mundo de opções à
disposição, hoje em dia, que a gente não tinha antes.
Olha que lindo que é isso, entendeu? Há 10 anos atrás
não poderia ter uma discussão destas. Hoje ampliou este
leque de possibilidades tanto que a gente está
discutindo o que é melhor. Este é o resultado bom do que
a gente está fazendo aqui. Não dá para dizer se é melhor
ou pior, não existe isso, né? Na minha opinião é
importante cada um seguir o seu caminho e adaptar aquilo
que existe no mercado ao caminho que quer seguir. Cada
um acha as suas técnicas e ferramentas, e desenvolve a
sua arte, seu trabalho, sua criatividade, seja o que
for, através destas ferramentas. Acho que agente tem que
estar muito feliz de termos estas possibilidades hoje em
dia.
ANDREAS HEINIGER – Eu queria voltar a falar que em todas
as tecnologias, isso vale para a comunicação, para o
som, para a imagem, para o cinema, e tudo, estes
adventos todos vieram para ser uma coisa a mais. Eles
não podem ser tratados como exclusão do outro. Não é
momento para decidir que vamos entrar todo mundo no
digital. É uma loucura! Não tem o menor sentido. É um
advento novo como o telefone celular, é maravilhoso
colocar no bolso, e mais maravilhoso é poder desligá-lo.
(risos) Agora, ninguém vai dizer: eu não quero isso, não
tenho vontade, vou desligar e só vou usar no dia em que
ficar parado sozinho na Marginal com o pneu furado, para
não ter que atender ninguém. Mas, quando você precisar,
vai ligar. E o digital é uma coisa que funciona igual.
Em cinco minutos, rapidinho temos a foto, o mais
emocionante espera 25 minutos o cromo chegar. Preço
diferente, o tempo que se gasta é diferente, o prazer
que você tem é diferente, e a digestão também. (risos)
Não pode levar a discussão para isto de excluir uma ou
outra tecnologia. É uma coisa nova que veio, que está
pronta, que, com certeza, vai ficar cada vez melhor,
porque seguramente no análogo estamos vivendo o final da
tecnologia, que chegou no topo, não acredito que vai se
fazer lentes muito melhores, câmeras muito melhores do
que se faz hoje. A Nikon apresentou a F6, é fabulosa,
mas foi apresentada como a última. Hoje, eu li na
internet, só para ter uma idéia, na Alemanha, um mercado
que é representativo, o ano passado vendeu um milhão e
400 mil análogas ainda, o que é considerável, não é um
nada.
GAL OPPIDO – Posso falar uma coisa? A Kiocera rompeu com
a história da Contax. A Leica está com um problema grave
financeiro. Acho que não é desprezível isso. É
importante. O que é mais complicado é que existe um
certo preconceito quanto ao digital. Têm os que gostam e
os que não gostam. Acho que isso vai ser assimilado e
vai passar. Esta conversa nossa daqui a 10 anos vai ser
uma besteira. A convivência vai existir. Tem coisas na
fotografia digital fantásticas, como ter que aproveitar
ao máximo o quadro. Eu aprendi a fotografar com a escola
de Cartier-Bresson, que você tem o olho e tudo o que
você vê você registra, não dá corte. Acho isso lindo. Em
uma medida a foto digital obriga os meninos que estão
começando a fotografar a ter este olhar. Você não tem a
possibilidade de dar o corte, porque começa a ficar tudo
pequenininho. Isso é muito interessante falando de
linguagem.
KLAUS MITTELDORF – Uma coisa que a gente não falou aqui
e é muito legal, o que mudou, principalmente com todo o
sistema digital, é o jeito da gente olhar as coisas.
Antigamente a câmera era a extensão do nosso olho. De
repente a câmera vira um pedaço do cenário que a gente
vai fotografar. Mudou.
PLATÉIA – Você diz a postura?
PLATÉIA – As pessoas vão fotografar e fazem assim. É
muito esquisito.
KLAUS MITTELDORF – A câmera não é mais a extensão do seu
olho, você faz assim e põe o seu enquadramento dentro do
mundo. Já tira, dentro daquilo que está vendo, um
pedaço, automaticamente picoteia aquilo que está
enxergando. O modo de a gente enxergar, a visualização
do mundo mudou completamente através da fotografia
digital.
PLATÉIA – Isso mudou também quando veio a 35 milímetros.
KLAUS MITTELDORF – Mas a característica da câmera sempre
foi ser a extensão do olho.
PLATÉIA – Mas nas máquinas mais evoluídas não tem este
recurso, você não vê a imagem.
PLATÉIA – Mas tem o monitor.
KLAUS MITTELDORF – Uma coisa que eu esqueci de falar é
que não sei há quantos anos atrás, quando surgiu a
Polaroid, a gente achava que tinha a foto instantânea
feita, a gente achava que era aquilo. Veja como mudaram
as coisas. Então, esta discussão de hoje, daqui a 10
anos, pode ser ridícula, né? Vai saber o que existe
daqui a 10 anos.
PLATÉIA – Certamente será, como tantas coisas vão ser
ridículas daqui a 10 anos.
GAL OPPPIDO – Tem uma coisa com a digital, que é esta
coisa da pós-luz. Você fotografa uma cena, que não é a
luz que você está vendo, mas a luz que você pode fazer.
Por exemplo, você faz uma noturna, você vai fazer uma
luz suja, nestes cursos que eu dou no MAM a gente sai
pelo Ibirapuera fotografando. Tem vezes em que a pessoa
vê a imagem, já filtra, estou falando da pós-luz. Esta
fotometragem que a gente tinha é relativa agora. Muitas
vezes eu dou 10 exposições para uma mesma imagem, e
falo: é esta a imagem que eu quero e não aquela. Isso em
filme é impossível, porque você vai fazer um filme de
36, vai queimar 3 cenas com um filme. Hoje, eu vejo uma
situação com uma determinada luz, eu tento ver esta
pós-luz. Isso é possível com o digital, não tinha isso
antes e agora eu tenho. Às vezes eu vejo aquela coisa
náufraga, assim, uma cena e falo: isso aqui, que eu
estou vendo, se eu triplicar a exposição disso eu tenho
uma outra coisa. Então, me obriga a me projetar na cena,
que antes eu não tinha. Tudo bem, eu tinha fazendo
algumas variações, mas agilidade eu não tinha.
PLATÉIA – Aquela foto sua que estava na FIESP, de São
Paulo, foi digital?
GAL OPPIDO – Não.
(risos e palmas)
GAL OPPIDO – Acidentes acontecem. Eu fiz uma foto, que
saiu no Estado, de ontem, uma panorâmica noturna,
totalmente borrada, em um jornal. É aquela coisa que
você estava falando do suporte, não adianta fazer em uma
4 por 5, se o suporte final é completamente borrado. Eu
penso a fotografia. Por exemplo, tem um filme, que eu
guardo desde 83, que eu usei há pouco tempo, um 640P, eu
fotografava com ele operando a 125 e virava no C41
puxando três pontos, para ver o que acontecia. Fiz
vários trabalhos assim. Um filme, pra mim, vencido não é
uma fatalidade. É um fetiche nosso, que a gente tem com
relação à imagem, ao ofício da gente, a gente gosta da
ferramenta. Você olha uma Sumiluz e talvez não faça mais
nada, hoje em dia, mas você quer, é uma Sumiluz. Então,
original, na verdade, é isso que o Klaus está falando,
você fotografou e viu exatamente aquilo que você
fotografou, você experimenta mais. Exige mais. A gente
como autor da imagem vai ficar mais difícil. Esta coisa
do mercado, que o Klaus falou, na verdade, é o mercado
que está virando pra gente, mas se ele solicitar pra
gente: olha, faz uma imagem específica, aqueles
fotógrafos que têm mais história vão aparecer muito
mais, porque vão saber especular em cima da imagem, vão
saber expressar determinada idéia, é isso o que
acontece. Na verdade, este movimento, que o Klaus está
falando, deveria ser ao contrário. Esta flexibilidade
que tem de equipamento, joga pra isso.
PLATÉIA – Quando não tiver mais filme, como você espera
obter um resultado deste, de um filme de 15 anos atrás?
PLATÉIA – CCD vencido.
(risos)
GAL OPPIDO – Tem umas coisas gozadas, que estão
acontecendo, falando de alguns países do ex-leste
europeu, que tem pequenas empresas que fazem filmes, que
estão fazendo estas emulsões. Pega a Internet, vai
achar.
ANDREAS HEINIGER – Em 1977, decretou-se que a película
para cinema ia viver, no máximo, três anos. Nunca se
filmou tanto em película como hoje está se filmando.
Obviamente, para efeitos especiais se tem o vídeo, e
depois se transfere para a emulsão. Não ao contrário, né?
Você vê nos filmes todos hoje, existe muito mais esforço
de deteriorar a imagem do que a qualidade. Os filmes que
a gente mais admira são aqueles em que os caras tiveram
um tremendo trabalho de deterioração, filme super oito.
Tudo isso é uma discussão de até onde cabe dentro da
publicidade.
KLAUS MITTELDORF – Começa, aí, a ser contra o que é a
linguagem dentro da publicidade. Mas, volta tudo, é uma
questão de época também. Nada é perdido.
ANDREAS HEINIGER – Daqui a 30 anos vão jogar fora aquela
Coolpix e a Sumilux ainda vai estar guardada.
(risos)
THOMAS SUSEMIHL – Isso o que a Nina falou, positivos e
negativos. O negativo é a banalização, que aconteceu,
esta mudança, que a gente já comentou várias vezes.
Houve um achatamento. Houve um problema em um primeiro
instante, a desinformação das agências, e por parte de
muita gente, do que é a digital. Então, o cara vira e
fala: mas, você tem digital? E nem sabe o que está
falando, se você tem uma Coolpix, ou um back, o
megapixel, ele não entende nada. Outras coisas me
assustaram, uma vez fui fazer um workshop no sul, em
Canela, e chegou um rapaz e mostrou o portfólio dele pra
mim. Tinha umas fotos que ele tinha feito com uma
Coolpix e tinha dado saída em Frontier, umas fotos de
arquitetura. Uma passagem de tons, assim, de uma
qualidade, que eu fiquei assim. Nem aqueles filmes que
tinham nitrato para não sei quanto, em 1960, não
conseguia aquela passagem de tons, né? Então, hoje em
dia, o acesso que você tem para ter um resultado
marcante, talvez seja um pouco achatado, mas atrás disso
tudo, o talento de cada um, vai ser preservado, e isso
não tem discussão. Mas, o mais importante é: nós estamos
vendendo câmeras digitais, estamos aqui leiloando...
(risos)
GAL OPPIDO – Eu queria levantar uma teoria técnica. Hoje
eu estava fotografando arquitetura, eu mudei para a
Canon por causa de duas lentes, da 17-75, 2.8 e da 24PC,
eu fotografo muito arquitetura e é a única máquina que
tinha 24PC, era a Canon, e hoje, quando eu estava
fotografando, eu cheguei em um muro. Eu tinha que
fotografar um conjunto de edifícios e era, exatamente os
30 por cento da DS, que é full frame, que eu não tinha.
Então, pra mim, que sou um cara tosco de computador, eu
não pego nem em mouse, a primeira que eu tive, a D70,
falaram: Gal, se você fizer uma ampliação 20 por 25,
isso daí dá a 300 ppi, isso funciona como uma máquina
analógica. Eu falei: vou comprar. O raciocínio meu foi
este. Eu tenho site, eu não abro e-mail, eu sou
completamente século XIX para este tipo de coisa,
entendeu? Eu vejo a digital assim, eu não consigo mais
ficar sem a digital, mesmo não sabendo. E hoje, por
exemplo, eu falei: putz, eu tenho que ter a 1 DS, porque
aí eu pego esta mesma lente que me fez mudar o sistema
de Nikon para Canon, está me fazendo mudar de um corpo
para outro. Estou colocando um fato de hoje.
PLATÉIA – Refém da tecnologia. Vai gastar mais dinheiro.
THOMAS SUSEMIHL – Todos somos, né?
LUIS CRISPINO – Eu acho o digital mais um recurso, não
pode ser encarado como radical, acabou o analógico,
vamos só trabalhar com digital. Acho que tem vantagens
de rapidez, de alguns recursos, tal. Acho que a película
continua sendo importante, espero que ela não
desapareça, espero que a gente continue usando os dois.
ALEXANDREA CATAN – Obrigado para todo mundo.
(palmas)
KLAUS MITTELDORF – Acho que há muito tempo a gente não
se reúne livremente, sem nenhum compromisso, desta
maneira. Acho muito legal o que vocês fizeram. Parabéns.
(palmas)
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