OPINIÃO

REFLEXÕES SOBRE FAZER OU NÃO CURSO DE FOTOGRAFIA
     

    
                                                       Texto de
J. S. Martins 
(*)  

      
É fundamental você fazer um curso. Passei a vida fazendo fotos sofríveis, sempre achando que lendo o manual da câmera era suficiente. Não era. Perdi oportunidades preciosas fazendo fotografias tolas.

      Durante quase 20 anos percorri episodicamente a Amazônia fazendo fotografias ruins. Quando um editor me pediu algumas dessas fotos para utilizar na utilização de um livro que tinha um texto meu, dei-me conta da "porcaria" que havia feito. Fotos que ele até considerou boas, quanto a composição, eram ruins quanto a iluminação ou foco. Joguei uma vida fora por não ter feito essa coisa simples há 35 anos, que era ter freqüentado um curso de fotografia.

       Fiz isso aos 60 anos. E estou profundamente gratificado. Fiz vários cursos: um curso introdutório com o Wanderley, no Grêmio da Escola Politécnica da USP; a primeira e a segunda etapa do curso de iniciação da Escola Focus, com o professor Enio Leite, um curso famoso, que fica bem atrás da Faculdade de Direito da USP.

       Pretendo, ainda, fazer outros cursos. Fotografia tem muitos macetes, pequenos segredos que são próprios das habilidades dos artesãos. Eles não estão em livros nem em folhetos que acompanham câmaras. Eu lhes sugiro com entusiasmo que faça um curso.

      Animo-me em face de casos como o de Magdalena Schwartz, que foi aluna da Focus, e aprendeu a fotografar já com boa idade. Hoje ela já é falecida. Vi recentemente uma exposição de suas fotos p&b no Instituto Moreira Salles. Fiquei comovido com a sua sensibilidade e sua competência fotográfica.

Fonte: www.fotoserumos.com/reflexoes.htm

(*) Professor livre-docente em Sociologia da Universidade de São Paulo, autor, ex aluno da FOCUS, entre outros, de A imigração e a crise do Brasil agrário, 1973; Capitalismo e tradicionalismo (estudo sobre as contradições da sociedade agrária no Brasil), 1975; O cativeiro da terra, 1979; Expropriação e violência (a questão política no campo), 1980; Os camponeses e a política no Brasil (as lutas sociais no campo e seu lugar no processo político), 1981; A militarização da questão agrária no Brasil (terra e poder: o problema da terra na crise política), 1984; A reforma agrária e os limites da democracia na Nova República, 1986; O massacre dos inocentes, 1991 (org.); Subúrbio (vida cotidiana e história no subúrbio da cidade de São Paulo: São Caetano, do fim do império ao fim da República Velha), 1992; Henri Lefebvre e o retorno à dialética, 1996 (org.); Vergonha e decoro na vida cotidiana da metrópole, 1999 (org.)

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