FOCUS -
ESCOLA DE FOTOGRAFIA
FAÇA BEM FEITO. FAÇA FOCUS 1975 - 2008 = 33 ANOS
HISTÓRIA DA
FOTOGRAFIA DIGITAL
Introdução:
A crise de 1929 e dos anos subseqüentes teve sua origem no grande aumento da
produção industrial e agrícola nos EUA durante a Primeira Guerra Mundial,
uma vez que o mercado consumidor, principalmente o externo, representado
pelos países em guerra na Europa e pelos da América Latina, tradicionais
consumidores dos produtos europeus, conheceu ampliação significativa.
A partir de 1925, apesar de toda euforia reinante, a economia
norte-americana começou a enfrentar sérios problemas:
Enquanto a produção industrial e agrícola cresceu num ritmo acelerado, o
aumento dos salários foi muito lento. A conseqüência progressiva da
mecanização da indústria e da agricultura foi o desemprego que aumentou de
modo preocupante;
Os países europeus recuperando-se dos prejuízos de guerra os levou a comprar
cada vez menos dos EUA e a concorrer com eles nos mercados internacionais.
Por falta de consumidores internos e externos, começaram a sobrar grandes
quantidades de produtos no mercado norte-americano, configurando-se, assim,
uma crise de superprodução. Diante disso, os agricultores viram-se obrigados
a armazenar cereal. Para tanto, tiveram que pedir empréstimos bancários,
oferecendo suas terras como garantia de pagamento, o que muitas vezes os
levou a perdê-las. Os industriais, por sua vez, foram forçados a diminuir o
ritmo da produção e, conseqüentemente, a despedir milhares de trabalhadores,
aprofundando a crise.
A pesar da crise galopante, os pequenos, médios e grandes investidores
continuaram especulando com ações. Comercializavam esses papéis por preços
que não condiziam com a real situação das empresas. Enfim, agiam como se a
economia do país estivesse saudável. Entretanto, como era de se esperar,
chegou o momento em que a crise atingiu a Bolsa de Nova Iorque, um dos
importantes centros do capitalismo mundial. Refletindo a real situação das
empresas, os preços das ações começaram a baixar. Os acionistas correram
para tentar vendê-las, mas não havia quem quisesse comprá-las. Em 29 de
outubro de 1929, havia 13 milhões de ações à venda, mas faltavam
compradores. O resultado foi que os preços das ações despencaram, ocorrendo
o crash (quebra) da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Com isso, milhares de
bancos, indústrias e empresas rurais foram à falência e pelo menos 12
milhões de norte-americanos perderam o emprego. Abalados pela crise, os EUA
reduziram drasticamente a compra de produtos estrangeiros e suspenderam
totalmente os empréstimos a outros países. Assim, a crise propagou-se
rapidamente por todo o mundo capitalista. Os Estados Unidos retomam a sua
estabilidade econômica, durante a Segunda Grande Guerra Mundial.
A crise de 1929 fez com que os futuros investidores refletissem melhor,
sobre o que fazer nas próximas décadas. Novos institutos de pesquisas
econômicas foram criados para projetar e avaliar a conjuntura econômica
mundial do próximo milênio. A corrida espacial norte-americana e os
investimos na tecnologia digital são exemplos concretos disto.
Os Estados Unidos, durante segunda grande guerra
mundial já havia testado exaustivamente a digitalização nas comunicações por
meios de mensagens criptografadas para táticas bélicas e serviços de
contra espionagem.
DIGITAL, MERCADO ESTÁVEL
A fotografia digital, como todas as novas tecnologias, é embrionária da
Guerra Fria, mais especificamente no programa espacial norte-americano. As
primeiras imagens sem filme registraram a superfície de Marte e foram
capturadas por uma câmera de televisão a bordo da sonda
Mariner 4, em 1965.
Eram 22 imagens em preto e branco de apenas 0,04 megapixels, mas que levaram
quatro dias para chegar à Terra.
Ainda não eram “puramente digitais”, já que os sensores daquela época
capturavam imagens por princípios analógicos televisivos. A necessidade
dessa nova invenção se justificava da seguinte forma: ao contrário das
tradicionais missões tripuladas, onde os astronautas retornavam à Terra para
revelar os filmes (as famosas fotos da Lua, por exemplo), as sondas que
sumiriam para sempre no espaço precisavam de uma forma eficaz de transmitir
suas descobertas eletronicamente.
O propósito da época era investir em bem de consumo estável para o próximo
milênio, justificando a nova demanda pela estabilidade política capitalista.
As primeiras fotos são de 1965, mas a Mariner 4 foi lançada ainda em 1964.
Neste mesmo ano, os laboratórios da RCA criavam o primeiro circuito CMOS,
sem ter a menor idéia de que um dia este seria a base das primeiras câmeras
digitais. Já o CCD, primeiro tipo de sensor usado na fotografia digital, foi
inventado em 1969, nos laboratórios Bell. A primeira versão comercial
chegaria ao mercado em 1973, obra da Fairchild Imaging. Batizado de 201ADC
capturava imagens de 0,01 megapixels.
Em 1975, a Kodak apresentaria o primeiro protótipo de uma câmera sem filme
baseada no sensor CCD da Fairchild. O equipamento pesava quatro quilos e
gravava as imagens de 0,01 megapixels em fita cassete – uma a cada 23
segundos! No ano seguinte, a própria Fairchild, por sua vez, colocaria no
mercado sua câmera de CCD, a MV-101 – o primeiro modelo comercial da
história.
A primeira câmera digital seria a Fairchild All-Sky Camera, um experimento
construído na Universidade de Calgary, no Canadá, a partir do sensor 201ADC
mencionado acima. Diferente de todos os outros projetos de astrofotografia
da época, quase todos baseados nesse mesmo sensor, a All-Sky tinha um
microcomputador Zilog Mcz1/25 para processar as imagens acopladas, o que lhe
renderia o título de “digital”.
Apesar do pioneirismo da Kodak e da Fairchild, quem daria às câmeras sem
filme (ainda não digitais) o status de produto de consumo seria a Sony, que
em 1981 anunciaria sua primeira Mavica, com preço estimado em US$ 12 mil. O
protótipo, de 0,3 megapixels, armazenava até 50 fotos coloridas nos
inovadores Mavipaks, disquetes de 2 polegadas precursores dos de 3½ atuais,
também inventados pela Sony. Suas imagens, entretanto, eram similares às
imagens televisivas estáticas.
Mas a segunda revolução, ainda segundo a PMA, (Phorography Marketing
Association, Estados Unidos) aconteceu durante o ano de 2003, quando, pela
primeira vez, a penetração das câmeras digitais superou os 22% das
residências americanas (patamar a partir do qual um produto é considerado
“de massa”), chegando a 28%. No ano passado, atingiu 41%, o que leva a crer
que, neste momento, há uma câmera digital em mais da metade dos lares
norte-americanos.
No mesmo ano, as câmeras digitais também fizeram uma outra conquista
significativa: passaram a ser mais usadas pelas mulheres do que pelos homens
– o que terá um grande impacto no mercado de revelação. Entre 1999 a 2003,
houve um salto de 46 para 53% de usuárias femininas de câmeras digitais.
Ao mesmo tempo em que crescem as vendas, cresce a resolução dos modelos mais
populares. Em agosto de 2005, a fatia mais disputada do mercado foi a das
câmeras de 5 megapixels, responsável por 39% das unidades vendidas e 38% da
receita. A segunda faixa mais popular, constituída pelos modelos de 4
megapixels, respondeu por 30% das câmeras vendidas, mas apenas 19% do
faturamento – quase o oposto do segmento de 7 ou mais megapixels, com 14%
das unidades e 29% da receita.
Para efeito de comparação, a PMA revela que no início de 2005, os modelos
mais populares eram os de 4 megapixels, posição que um ano antes, era
ocupada pelas câmeras de 3 megapixels. Em compensação (e provavelmente por
causa disso), os preços vêm caindo rapidamente: as câmeras de 5 megapixels
queridinhas dos consumidores, por exemplo, devem ficar 12% mais baratas até
o fim do ano (em relação aos preços de agosto, nos Estados Unidos).
Aqui no Brasil, conforme a Revista Info Exame, edição de abril 2005, o
crescimento da fotografia digital foi de 160% em 2004, atingindo um milhão
de unidades vendidas, com uma penetração ainda irrisória, de apenas 3%,
segundo o IDC. Não se sabe se esses números consideram o mercado informal e
as câmeras trazidas legalmente por viajantes internacionais, mas o fato é
que ainda há muito espaço para crescer.
As conseqüências do aumento do número de câmeras, mudanças ainda mais
radicais vêm acontecendo no mercado de filmes (em franca desaceleração) e
revelação (em processo de adaptação), onde sempre se concentraram os maiores
lucros do setor. Não é à toa que mega-empresas como a Kodak estão tendo que
se reinventar e outras, como a tradicional Agfa, estão fechando as portas em
dezembro de 2005.
CONCLUSÃO:
Quando a NASA, na década de 60, iniciou o programa de lançamento de astronautas,
descobriu-se que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para
resolver este enorme problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje
Accenture. Empregaram uma década e 12 milhões de dólares. Conseguiram
desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta-cabeça,
debaixo d'água, em
praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de
temperatura desde abaixo de zero até mais de 300 graus Celsius. Já os russos
simplemente usavam lápis...
As novas tecnologias não foram desenvolvidas pensando em preservar ou
otimizar recursos. O que
existe é apenas uma corrida tecnológica, tendo o lucro como objetivo
principal. O reflexo disto são os constantes recalls feitos pelos
fabricantes para substituição de chips, atualização de firmwares e demais
componentes.
Por enquanto, a imagem digital veio para ficar. Não para substituir o que já
foi conquistado, mas para facilitar a nossa vida, agregando novos valores.
Portanto, é mais uma técnica, um recurso de linguagem que devemos aprender e
usufruir em todos os seus aspectos. A despeito de toda esta tecnologia,
podemos prenunciar que a "fronteira final da fotografia" ainda não foi
atingida e a boa imagem fotográfica, independente da ferramenta ou mídia
utilizada, ainda demanda luz, sensibilidade e intelecto criativo do
fotógrafo.
Mas, muito em breve essas formas de representação bidimensional serão
gradativamente substituídas pela próxima revolução: holografia e hologramas.
CRONOGRAMA:
1920 - início da transmissão de imagens Londres/Nova York pelo cabo
submarino - 3 horas.
1957 - Russel Kirsch, NBS - “escaneou” a primeira imagem e introduziu em um
computador.
1964 - NASA-Jet Propulsion Lab. Receberam as primeiras imagens enviadas
pelas câmeras da Mariner 4.
1981 - Sony introduz no mercado mundial a Mavica.
1981 - IBM apresenta sistema operacional MS-DOS.
1984 - Apple introduz os computadores Macintosh.
1985 - Thunderscan e MacVision - scanners de baixa resolução e baixo custo.
1986 - placas TrueVision /Targa -imagens coloridas.
1987 - Macintosh II - 16,7 milhões de cores no monitor.
1988 - novos periféricos para Mac: slides printer, scanners para cromos 35
mm, impressoras coloridas, ImageStudio-soft para manipulação de imagens P&B,
etc.
1989 - arquivos JPEG são adotados com padrão. Microsoft inicia o Windows
3.0.
1990, 29 de novembro. Guerra do Golfo.
1991 até hoje. Aparecimentos de diversos modelos avançados de câmeras
digitais: SinarScitex - PhaseOne - Dicomed - Kodak / Nikon, Canon, Epson,
etc.
Prof. Enio Leite
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